Título: Elogiado na OMC, Amorim é contestado por noruegueses
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 03/07/2006, Brasil, p. A4

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, saiu novamente de uma reunião ministerial da OMC reconhecido como o negociador mais em vista e certamente o mais elogiado. Mas desta vez ele constatou a que ponto o que fala passou a ter repercussão imediata onde menos se poderia imaginar.

Em entrevista coletiva, Amorim foi indagado por um repórter da Noruega sobre a insistência do Brasil em combater os subsídios agrícolas. Ele ilustrou sua resposta com o caso de um ministro que, em visita ao Brasil, defendeu as subvenções porque a população de seu país gostava de ver uma paisagem bonita nas viagens entre suas residências na capital e as casas de veraneio, no interior.

A declaração tomou uma dimensão inesperada na Noruega, uma das campeãs mundiais de subsídios agrícolas. Noruegueses acharam que Amorim falara deles e passaram a enviar e-mails e procurá-lo por telefone para protestar. Quando encontrou o ministro norueguês de Relações Exteriores, Jonas Gahr Støre, Amorim tratou logo de dizer que não tinha falado da Noruega. De fato, Amorim não mencionou país nenhum, mas se referia à ... Finlândia.

Não houve na OMC o clima de acusações entre ministros como em Hong Kong, no fim de 2005. Um dos poucos momentos tensos decorreu do tom professoral da representante americana Susan Schwab, que insistia como seria bom para os outros países se eles abrissem seus mercados aos EUA. Peter Mandelson, comissário europeu do comércio, pediu para ela parar por ali porque ele estava "perdendo a paciência".

Já Kamal Nath, ministro de Comércio da Índia, pareceu mais confuso do que de costume, mas fez muita gente rir. Chegou mais de uma hora atrasado a uma reunião e alegou que estava assistindo ao jogo entre Alemanha e Argentina - quando até os argentinos estavam a sua espera. Nath chegou a reclamar que tinha problema de se coordenar com tantos ministros presentes. Mas quando se encontrava separadamente com um colega, também dava pouca atenção. Parecia mais atento ao telefone celular. (AM)