Título: Governo reage para deslocar o foco das acusações do Ministério da Saúde
Autor: Cristiane Agostine e André Vieira
Fonte: Valor Econômico, 27/07/2006, Política, p. A8

Os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, reuniram a imprensa, ontem, para divulgar dados das investigações do governo sobre o esquema de fraudes em licitações para compra de ambulâncias. O objetivo do governo era revidar as críticas e denúncias de participação dos ministros da Saúde do governo Lula nas irregularidades. No balanço apresentado, PSDB e PFL aparecem no topo de uma lista de prefeituras beneficiadas. Os criminosos atuaram com maior competência, segundo a CGU, em 2001 e 2002, antes da posse de Lula.

"A fonte da CGU são números comprovados documentalmente e ninguém poderá negá-los", afirmou o chefe da CGU. "Por que o governo há de ser posto na condição de réu quando foi o autor da investigação? Vamos divulgar os dados objetivos escancaradamente", afirmou o ministro da Justiça.

No ranking de partidos com o maior número de prefeituras beneficiadas pelo esquema da Planam, o PSDB aparece no topo com 128 municípios, seguido pelo PFL, com 107. Na terceira posição aparece o primeiro partido da base, o PMDB (106). Na quarta colocação, o PTB (54) e, em seguida, PDT (49), PP (37) e PL (23). Na oitava colocação aparece o PPS (23) e só depois o PT (19). Entre 2000 e 2004, 591 municípios receberam veículos da empresa.

A lista que leva em consideração o número de prefeitos eleitos em 2000, no entanto, o PT sobe de nono para quinto partido em número de municípios. A sigla que, proporcionalmente, teve o maior número de prefeitos envolvidos é o PDT (17%), seguida por PPS (14%), PTB (13,6%), PSDB (12,9%), PT (10,9%), PFL (10,4%), PL (9,8%), PMDB (8,4%) e PP (5,9%).

O esquema atingiu seu auge em 2002, último ano de mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), segundo informaram Bastos e Hage. Naquele ano, dos 615 convênios para compra de ambulâncias, 317 foram direcionados à Planam: 51,54% do total.

A partir dali, segundo os ministros, houve retração do esquema. Em 2003, a participação da Planam no montante de vendas chegou a 24,39%. No ano seguinte, caiu para 16,17%. Segundo Hage, os números desse último ano estão incompletos.

A CGU divulgou também os Estados com o maior número de convênios firmados com a Planam em comparação à relação total de convênios acertados pelos municípios dessas regiões. O Mato Grosso, Estado-sede da empresa, lidera a lista. Em seguida vem Rondônia e, logo depois, o Rio de Janeiro.

Segundo a CGU, foram enviados 14 novos nomes de deputados e ex-deputados para serem investigados pela CPI das Sanguessugas, no Congresso. Essa relação será somada àquela da qual já fazem parte 90 parlamentares (87 deputados e três senadores) e 26 ex-congressistas.

Os novos nomes surgiram de análise da CGU: Arolde de Oliveira (PFL-RJ), Aroldo Cedraz (PFL-RJ), Paulo Magalhães (PFL-BA), João Almeida (PSDB-BA), Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG) e Almerinda de Carvalho (PMDB-RJ), além dos ex-parlamentares José Carlos Coutinho (PFL-RJ), Lídia Quinan (PSDB-GO), Vicente Caropreso (PSDB-SC) e Wilson Santos (PSDB-MT), Eurípedes Miranda (PDT-RO), Dino Fernandes (PP-RJ), Luisinho (Luis Eduardo, PP-RJ) e José Aleksandro (PSL-AC).