Título: Jorge rebate reclamações
Autor: Caprioli, Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 11/09/2010, Economia, p. 20

Ministro contesta queixas das montadoras de que o país está comprando muitos veículos no exterior e atribui responsabilidade pelo aumento recente das encomendas às próprias empresas

A preocupação com o crescimento da importação dos automóveis, alardeada durante a semana pelas montadoras, foi rebatida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que contestou a reclamação e atribuiu às próprias produtoras brasileiras o aumento das compras no exterior. Segundo ele, o desembarque de veículos prontos cresce vindo de países que têm acordos com o Brasil permitindo o negócio sem a cobrança do Imposto de Importação, como México e Argentina.

Não há excesso de importação, porque são as próprias montadoras que estão importando. Não existe carro europeu sendo vendido no Brasil como pão quente. Não há BMW ou Audi sendo vendido como pão quente, cravou. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, o emplacamento de importados cresceu 35,8% entre janeiro e agosto, enquanto o de nacionais avançou 17,5%, apesar da participação dos estrangeiros ainda ser pequena.

Essa compra é feita porque, para alguns modelos de veículos (mais caros), a demanda brasileira não justifica a instalação de uma fábrica. Nenhuma montadora vai instalar uma fábrica para vender apenas 1.000 veículos por mês, que é o máximo que alguns modelos vendem por aqui, confirmou o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze.

Para o empresário, as importações de parceiros comerciais, como a Argentina e o México, não prejudicam a competição no mercado. Quando a procura no mercado brasileiro cresce, nós importamos mais, mas o modelo que trazemos, às vezes, é montado lá com motor feito aqui, caixa de marchas feita aqui, destacou Reze. As compras que poderiam prejudicar o mercado nacional, na sua avaliação, são as que ele chamou de importação pura, como as provenientes da Coreia, China e Índia.

Reze lembrou que a tendência dessas montadoras é passar a produzir no Brasil, conforme aumenta a demanda, como ocorreu recentemente com um dos modelos da Hyundai. O executivo afastou a possibilidade de veículos chineses ameaçarem o mercado nacional. Algumas marcas de outros países vieram há muitos anos e não as vemos mais no mercado. Os carros chineses vão ter que provar do que são capazes e cair no gosto dos brasileiros. Ou então não ficam, afirmou.

"Não há excesso de importação (de veículos), porque são as próprias montadoras que estão importando. Não existe carro europeu sendo vendido no Brasil como pão quente Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento