Título: Mantega assume BNDES e parte da diretoria de Lessa pode permanecer
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 23/11/2004, Brasil, p. A2
O ex-ministro do Planejamento Guido Mantega assumiu ontem formalmente a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e já passou o dia trabalhando no novo posto. Ele chegou ao banco por volta das 10h30 e teve uma reunião de três horas e meia com o ex-presidente Carlos Lessa. Mantega estava acompanhado de Demian Fioca, ainda formalmente chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento, e de Ricardo Moraes, assessor de imprensa do ministério. Os dois ainda não têm cargos no BNDES, mas constituem o núcleo da equipe de Mantega no banco. Durante a reunião com Lessa, Mantega assinou o termo de posse como presidente do banco, quebrando uma longa tradição de posse solene em Brasília. A transmissão de cargo, que tradicionalmente também ocorre em uma cerimônia na sede do banco, não tem data marcada. A reação de Lessa à sua demissão pode ter criado um clima desfavorável à tradicional cerimônia. Três dos integrantes da diretoria de Lessa, o vice-presidente Darc Costa e os diretores Marcio Henrique Monteiro de Castro e Luiz Eduardo Melin - que constituíam o "núcleo duro" do poder no banco - divulgaram que desde a sexta-feira passada entregaram suas cartas de demissão ao novo presidente do banco. Mauricio Borges Lemos, Roberto Timótheo da Costa e Fábio Erber, outros três diretores da gestão que saiu, têm chances de permanecer nos cargos. Lemos, petista e ex-secretário de Planejamento da Prefeitura de Belo Horizonte, é ligado ao atual prefeito da capital mineira, o recém-reeleito Fernando Pimentel, nome em alta cotação dentro do PT. Timótheo, responsável pela renegociação da dívida da AES com o banco, contaria com a simpatia de Mantega. Já Erber, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é antigo parceiro de estudos sobre indústria de Antonio Barros de Castro, da mesma universidade, que vinha assessorando Mantega no Planejamento. Castro, que foi presidente do banco no governo Itamar Franco (1992-1994), é outro nome certo na equipe de Mantega, ainda não se sabe se como diretor ou se como assessor da presidência. Outro nome que vem sendo considerado forte candidato a compor a nova equipe de comando do BNDES é Armando Mariante, presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Mariante tem a simpatia da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e sua escolha agradaria o empresariado fluminense. Lessa fez sua despedida dos empregados do banco ministrando a aula final de duas turmas do Curso de Especialização em Desenvolvimento Econômico e Social, criado por ele quando assumiu o comando da instituição. Já se dizendo na condição de professor, ele voltou a atacar as elites e disse que era grato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela oportunidade que teve de aprender mais sobre elas. "Em dois anos eu aprendi o que me faltava saber (sobre as elites). Serei eternamente grato por essa oportunidade de completar meu aprendizado, já um pouco velho", completou. "Vocês que formam a elite burocrática de um dos poucos aparelhos de Estado que sobreviveram à devastação fernandiana têm a obrigação de fazer dessa casa um templo do povão brasileiro".