Título: Média de público é a menor da história
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 20/12/2004, Empresas - Mídia & Marketing, p. B4

A média de público do Campeonato Brasileiro de Futebol deste ano, computada até a penúltima rodada, é a menor da história da competição, superando o recorde negativo de 1979, que foi de 9.136 pessoas por jogo. Além disso, a média de 7.899 espectadores é quase um terço da maior média da história, que foi de 22.953 torcedores por jogo em 1983. O campeonato alemão da temporada 2003/2004 registrou uma média de 35.048 espectadores por jogo, mais de quatro vezes a média do brasileiro deste ano. Segundo dados da empresa de marketing esportivo B2B Media Group, nas últimas três temporadas a Internazionale de Milão teve uma média de público de 57 mil pessoas na Liga Italiana. A média do Milan foi de 55 mil e da Roma, 52 mil torcedores por jogo. No Brasileiro deste ano, o Corinthians teve a maior média de público (até a 44ª rodada), com 14.021 torcedores por jogo no qual a equipe teve mando de campo. A pior média foi do São Caetano, com 2.056. As causas do fracasso do público do Brasileiro deste ano e do fraco desempenho histórico de bilheteria da competição têm explicações diversas por parte dos especialistas. Para Marco Aurélio Klein, do Ministério dos Esportes e professor de marketing esportivo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o "público baixo é uma característica do futebol brasileiro". Segundo ele, a média de ocupação da capacidade instalada (lotação dos estádios) no Brasil está abaixo de 20%, enquanto na Inglaterra ela chega a 90%. "Espaço para crescer e para ganhar tem. É preciso começar", disse. Para Klein, só será possível avançar quando os clubes tiveram gestão profissional, algo que ainda está engatinhando no Brasil. Klein disse que "os clubes brasileiros estão perdendo o bonde da internacionalização do futebol" e que fora do país somente os fanáticos sabem nomes de clubes brasileiros, apesar de saberem os nomes dos nossos principais jogadores graças à seleção brasileira e aos clubes estrangeiros nos quais eles jogam. Para o publicitário Guto Graça, sócio da B2B, a participação da bilheteria na renda total do futebol tende a cair tanto no Brasil como no exterior porque ela é a mais inelástica das fontes de receita do esporte. A explicação é que ela está atrelada à capacidade dos estádios e ao preço dos ingressos que, na sua avaliação, não podem ser muito caros no Brasil diante do baixo poder aquisitivo da população. Graça avalia que faltou esforço de mobilização do público por parte dos organizadores da competição deste ano, mas concorda que há dificuldades estruturais para se levar mais público aos estádios, como a falta de conforto. Virgílio Elísio, diretor técnico da CBF, concorda que o conforto nos estádios, além da melhoria da qualidade do espetáculo, podem atrair mais público. Mas ele ressalta que o papel da CBF é o de dar credibilidade à competição, com regras estáveis e calendários razoáveis e previamente divulgados. (CS)