Título: Brasileirão movimenta R$ 430 milhões
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 20/12/2004, Empresas - Mídia & Marketing, p. B4
O Campeonato Brasileiro de Futebol, série A, rendeu aos 24 clubes que disputaram a competição neste ano cerca de R$ 430 milhões entre contratos de transmissão dos jogos pela TV, publicidade em torno dos gramados, bilheteria e patrocínio no uniforme. O resultado mostra que a principal competição do país do futebol ainda está anos-luz de distância das cifras movimentadas na Europa. O clube inglês Manchester United faturou sozinho o equivalente a R$ 891 milhões (169,1 milhões de libras) em 2004, mais que o dobro do que conseguiram os 24 clubes da elite do futebol brasileiro. Da TV, incluindo o sistema pay-per-view, os clubes receberam cerca de R$ 295 milhões, de acordo com dados do Clube dos 13, a entidade que representa as equipes nas negociações com a TV Globo, atual detentora dos direitos de transmissão do torneio. Para 2005, a estimativa do Clube dos 13 é de que essa renda alcance R$ 370 milhões, crescendo 25% sobre a deste ano. Em relação a 2003, os números conhecidos indicam que só houve aumento de receita nas transmissões pay-per-view, que representam em torno da sexta parte das receitas totais. Essa receita cresceu cerca de 17%, passando de R$ 60 milhões para R$ 70 milhões. O diretor-executivo do Clube dos 13, Mauro Holzmann, calcula que a parcela dos clubes significa 40% da receita total do sistema pay-per-view, que teria sido de R$ 175 milhões no ano. Ele disse esperar aumento da receita do pay-per-view em 2005, mas não quis arriscar um número. "Não é simples, porque a base de assinantes (da Net, responsável pelas transmissões) está estagnada", justificou. A renda da bilheteria, segundo dados da Confederação Brasileira de Futebol, somava R$ 49,3 milhões até a 44ª das 46 rodadas da competição, com uma média de R$ 93,375 mil por jogo e um público médio de 7.899 pessoas por partida. Desse valor, nem tudo vai para os clubes. A participação deles varia de acordo com o local onde o jogo é disputado, chegando, no máximo, a 75% da renda, segundo cálculos da CBF. O patrocínio no uniforme, terceira fonte de renda básica dos clubes (exceto negociações de jogadores) rendeu no ano uma média de R$ 3,5 milhões por clube, segundo cálculos de especialistas, o que significa R$ 84 milhões para as 24 equipes. Somados patrocínios, publicidade, TV e bilheteria, o total chega a R$ 428,3 milhões. O patrocínio no uniforme é muito variável, dependendo do tamanho e popularidade do clube. O Flamengo, que tem a maior torcida do Brasil, é dono da cota mais polpuda, cerca de R$ 12 milhões por ano da Petrobras. O Corinthians recebeu neste ano cerca de R$ 8 milhões da Pepsi-Cola. Segundo o superintendente de marketing da Unimed, Marcelo Giannubilo, a empresa pagou ao Fluminense cerca de R$ 7,2 milhões neste ano, mas isso ocorreu porque a Unimed resolveu bancar o direito de imagem (na prática, os salários) de cinco jogadores, entre eles, Romário e Edmundo. Para 2005, o patrocínio cai pela metade. Alguns clubes considerados menores, segundo cálculos de especialistas, não chegam a receber R$ 2 milhões por ano em termos de patrocínio no uniforme. A renda da TV, exceto pay-per-view, teve variação pequena em relação a 2003, já que, segundo o Clube dos 13, o contrato tinha valor fixo de US$ 70 milhões por ano no período 2002-2004. Holzmann, do Clube dos 13, disse que um clube da primeira divisão do futebol brasileiro tem orçamento anual médio de R$ 30 milhões, o que significa um total de R$ 720 milhões para os 24 que disputaram a série A de 2004. Isso significa que eles precisarão ter conseguido aproximadamente R$ 300 milhões de outras fontes (como negociações de jogadores e participações em outras competições) para fechar o orçamento do ano. Com uma parcela em torno de 12% da receita gerada pelo Campeonato, a bilheteria é o calcanhar-de-aquiles do futebol brasileiro. Segundo estimativa feita por Marco Aurelio Klein, diretor de programas do Ministério dos Esportes, nos principais campeonatos nacionais da Europa a renda de bilheteria gira em torno de um terço da receita total da competição. O número final da bilheteria da competição deste ano deverá fechar muito próximo ao de 2003, que alcançou R$ 53,5 milhões. O preço do ingresso (sem promoções) subiu de R$ 10 para R$ 15, mas a média de público caiu de 10.342 para os 7.899 (até a 44ª rodada), uma redução parcial de 23,6%. O diretor técnico da CBF, Virgílio Elísio, disse que a entidade deverá contratar uma consultoria para estudar as razões da queda de público médio neste ano, já que, na sua avaliação, a fórmula de disputa do campeonato, por pontos corridos, já se consagrou como a mais justa no sentido de premiar a competência da equipe que acumula o maior número de pontos ao final das 46 rodadas (42 em 2005, porque o número de clubes foi reduzido de 24 para 22). Este ano foi o segundo em que o campeonato foi disputado no formato de pontos corridos. Para Elísio, uma das causas é o fato de os clubes que, geralmente, levam maiores públicos aos estádios, como Flamengo, Corinthians e Vasco, terem passado todo o campeonato fora da disputa pelo título. Ainda assim, as empresas continuam apostando no esporte. A Rede Globo renovou todos os contratos de patrocínio para 2005 com Alpargatas, AmBev, Itaú, Coca-Cola e Vivo. A emissora informou que comercializa o Campeonato Brasileiro como parte de um pacote que cobre os principais torneios e campeonatos de futebol do Brasil, incluindo os jogos da Seleção Brasileira, durante um ano inteiro. São oferecidas cinco cotas exclusivas de patrocínio com 1.821 inserções, no valor de R$ 76,5 milhões.