Título: Marta pede a Lula prazo maior para enquadramento à LRF
Autor: Taciana Collet
Fonte: Valor Econômico, 11/11/2004, Política, p. A11

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT-SP), apresentou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva proposta de renegociação da dívida da capital. A prefeita, derrotada na eleição, sugeriu que o governo federal adie por um ano o pagamento da parcela de R$ 7 bilhões que a prefeitura de São Paulo terá de fazer, em maio de 2005, por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se não pagar, o patamar de endividamento da prefeitura ficará acima do permitido pela lei. "O presidente achou a idéia bastante interessante e, obviamente, vai discutir a proposta com o prefeito eleito José Serra (PSDB) para encaminhamento ao Senado Federal", afirmou Marta em entrevista no Palácio do Planalto, após encontro com o presidente da República. "Como prefeita que deixa o cargo, é a contribuição que posso dar para minha cidade e para o prefeito escolhido pela população", acrescentou. Serra e o presidente Lula devem se encontrar ainda este mês, mas ainda não há data marcada. A dívida consolidada de São Paulo é de aproximadamente R$ 30 bilhões. A prefeita observou que seria "injusto" com o prefeito eleito ficar responsável pelo pagamento da parcela de R$ 7 bilhões poucos meses depois de assumir o governo. O valor da dívida total do município equivale a 233% de toda a sua receita líquida anual. A Lei de Responsabilidade Fiscal não permite endividamento superior a 178% do valor da receita. E maio é o prazo para a prefeitura ajustar as suas contas. Os tucanos já haviam avisado que seria "impossível" pagar os R$ 7 bilhões no prazo previsto e tentariam a renegociação com o governo federal. A equipe da atual prefeita também já havia dito que iria colaborar para a renegociação. Marta Suplicy conversou com Lula sobre a manutenção de convênios do governo federal com a prefeitura, como os que prevêem recursos para o término da construção do Hospital Tiradentes, na zona Leste, e para as obras de drenagem da Rodovia Radial Leste. "Governo da cidade não muda, mas os convênios são extremamente importantes para a cidade", ressaltou. A prefeita negou que tenha conversado com o presidente da República a respeito de seu futuro político e a possibilidade de ocupar algum cargo na administração federal depois de deixar a prefeitura. "Quero acabar os dois meses de mandato, fazer uma transição organizada, entregar a cidade em ordem e depois tirar férias na praia, tomar sol e caipirinha", brincou. "Ser quatro anos prefeita de São Paulo, sem férias e, ao mesmo tempo, fazer campanha política, preciso respirar", disse ela. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, também participou do encontro.