Título: Itaú vai explorar vendas cruzadas na Credicard
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 11/11/2004, Finanças, p. C2
A aposta de que o cartão de crédito será mais importante do que a conta corrente para crescer no varejo, especialmente entre a população de baixa renda, e a expectativa de multiplicação dos negócios foram dois dos principais argumentos citados pelo presidente do Itaú, Roberto Setubal, para o aumento da participação na emissora de cartões Credicard e na processadora Orbitall. Falando a analistas em teleconferência, ontem, Setubal concordou que ágio pago foi alto. O Itaú pagou R$ 768 milhões ao Unibanco para aumentar a participação no capital da Credicard de 33% para 50%, sendo R$ 720 milhões de ágio. O Citigroup, que tinha também 33%, ficou igualmente com 50%; e o Unibanco deixou a sociedade. O Itaú gastou ainda R$ 281 milhões, sendo R$ 235 milhões de ágio, para assumir 100% da Orbitall, da qual tinha também 33%. No total, foram R$ 1,049 bilhão, dos quais R$ 955 milhões de ágio. Setubal explicou também que o ágio é elevado porque essas empresas trabalhavam com capital reduzido pois contavam com linhas de crédito dos acionistas (além do Itaú e do Unibanco, o Citigroup). Mas, o banqueiro conta principalmente com a sinergia, ganhos de escala e aumento da base de clientes para amortizar o investimento feito. Além disso, apontou que a alta rentabilidade do segmento justifica o preço. Setubal afirmou que espera ter concluído até o final do ano o acordo de acionistas com o Citigroup, para ampliar a interação e a sinergia. "Vamos trabalhar intensamente nas vendas cruzadas. O acordo nos dá acesso a 3,5 milhões de clientes adicionais", disse. O presidente do Itaú não quis detalhar se e como seria essa divisão de portfólio com o Citigroup, até a elaboração do acordo de acionistas, que envolverá também a questão da marca. Mas deu uma idéia do potencial que vislumbra: "Nós estamos trabalhando para criar mais oportunidades para explorar as vendas cruzadas. É possível oferecer não só o cartão mas crédito pessoal e até conta corrente". Ao final de setembro, o Itaú tinha 6,6 milhões de cartões. Com metade da base dos 7,6 milhões da Credicard, o banco chega a 10,3 milhões, que somam faturamento de R$ 15,1 bilhões e R$ 3,8 bilhões em ativos de crédito. O market share do banco no mercado de cartões sobe de 12,9% para 20,1% em quantidade de plásticos e de 12,2% para 20,7% em faturamento. Setubal ainda discorreu sobre a Orbitall. Ele espera uma sinergia operacional com a processadora que resultará em ganhos de eficiência e produtividade da ordem de R$ 50 milhões. A Orbitall, acrescentou, vai processar não só os cartões da Itaucard e da Credicard, mas também da financeira Taií e de produtos financeira que o banco criou, em julho, com o grupo Pão de Açúcar, como cartões private label.