Título: Aliança com PFL em 2006 divide PT do Rio
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 23/11/2004, Poítica, p. A6
O namoro entre o PT e o PFL, iniciado com a participação do pefelista Cesar Maia nas campanhas vitoriosas de Lindberg Farias (PT), em Nova Iguaçu e Godofredo Pinto (PT), em Niterói, está longe de entusiasmar os quadros mais à esquerda do PT fluminense para a disputa ao governo do Estado, em 2006. Ainda sem um nome definido, o diretório regional passa por um dilema: ou importa alguém de fora ou lança candidato próprio. Nomes como o do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira; do presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, e do ex-deputado federal Wladimir Palmeira estão sendo avaliados pela cúpula do partido. Circula nos bastidores que Vieira seria um candidato em potencial para o cargo pelo seu "poder" de agregar o apoio de diversos setores e partidos, o que poderia facilitar a composição da chapa em 2006. A candidatura do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS), chegou até a ser cogitada mas perdeu força. Segundo um parlamentar que acompanhou de perto as negociações, o ministro "não teria comprado o projeto". A configuração da chapa majoritária vai nortear os debates do partido nos próximos dois anos. O desafio será conjugar a proposta de lançar candidato próprio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Pela expressão social do PT, o partido deve ter um candidato próprio. Mas não podemos esquecer que teremos que conjugar o escolhido à reeleição do Lula", explicou o presidente regional do PT, Gilberto Palmares. Para começar a estabelecer os ajustes necessários para o próximo embate, o diretório regional se reúne no dia 28. Na quinta-feira, representantes do PT municipal se encontraram para avaliar o desempenho do partido no Rio e pontuar os erros cometidos durante a campanha. O PT carioca fechou as eleições deste ano com o pior resultado desde 1985. Ficou em quinto lugar, com 6,31% dos votos válidos. "O PT chegou a situação mais precária desde sua fundação. O desafio agora será reconquistar a militância. O PT precisa se pensar, rever o seu papel na sociedade fluminense. Sem isso, como planejar 2006?", questiona o deputado federal Chico Alencar. Diferentemente dos outros petistas, Lindberg defende a aliança entre PT e PFL ao governo, contra o candidato de Garotinho. Ele destaca, no entanto, que "o namoro só viraria casamento se Cesar Maia rompesse com o PSDB": "Defendo a aliança com o Cesar, mas em primeiro lugar existe o apoio ao Lula. Estamos falando de uma eleição nacional. Se o Cesar continuar alinhado ao PSDB, o PT não poderá seguir com ele", disse Lindberg ao Valor.(JV)