Título: Situação de Berzoini fica indefinida no PT
Autor: Jayme, Thiago Vitale
Fonte: Valor Econômico, 01/11/2006, Política, p. A10
O PT iniciou ontem um processo de reformulação da divisão de forças internas e discussão sobre as práticas partidárias adotadas até hoje. A Executiva Nacional da legenda se reuniu, por quatro horas, para fazer um balanço do resultado das urnas mas também para iniciar os debates para a chamada "refundação" da legenda, como define o ministro das Relações Institucionais e ex-presidente do PT Tarso Genro.
"Trata-se, agora, de desencadear um processo de discussão que nos permita cumprir nossas tarefas neste novo período e realizar uma profunda renovação política e organizativa do partido", escreveram os integrantes da Executiva em nota divulgada ao final do encontro. O 3º Congresso Nacional do partido deverá ser antecipado para o primeiro semestre de 2007 a fim de discutir todas essas mudanças da legenda. "Caberá ao Congresso debater, com o conjunto da militância petista, o programa de transformações que o PT defende para o Brasil, bem como o funcionamento do partido e de sua relação com a sociedade".
A situação do presidente afastado do partido, Ricardo Berzoini, foi tratada no encontro, mas não há definição. Mesmo fora de suas atribuições, ele participou do encontro. Avisou aos colegas da Executiva que pretende continuar afastado até que as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre seu suposto envolvimento no dossiê terminem, mas não falou de renúncia. "A situação de Berzoini se mantém até o fim de tudo isso", disse ontem o presidente interino da sigla, Marco Aurélio Garcia, que deverá permanecer na função até o congresso nacional.
Embora o clima da reunião tenha sido ameno, já há uma corrida pela disputa do poder dentro do partido. Muitos dirigentes esperam que o congresso do próximo ano convoque novas eleições para a presidência do partido. "Vamos fazer uma avaliação geral, mas o principal é reafirmar a permanência de Marco Aurélio até março ou abril", disse o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS).
Há quem também descarte a manutenção de Marco Aurélio à frente da legenda. Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais e membro da Executiva, publicou artigo ontem no site oficial do PT com críticas a Marco Aurélio. No texto, Pomar lembrou que o atual presidente interino criticava José Genoino por misturar partido e governo quando presidia a sigla. "Mas não consigo entender como alguém que faz este tipo de crítica considere possível conciliar a condição de presidente nacional (mesmo que interino) do PT, com a condição de funcionário do governo federal", escreveu Pomar. Marco Aurélio é assessor especial de Lula.
A 2ª vice-presidente do PT, a deputada Maria do Rosário (RS), pede uma maior descentralização do poder partidário. E mira as críticas em São Paulo, que sempre manteve as rédeas petistas. "A força do PT de São Paulo não é maior do que a força do PT nacional. Precisamos de um partido mais igual, até em simbolismos. Temos de trazer nossa sede para Brasília, que é o centro do país", reivindica. O 3º vice-presidente, Jilmar Tatto, deputado federal eleito por São Paulo, concorda: "Houve mudanças na política nacional e o precisamos absorver isso".
A Executiva também discutiu como será a relação do partido com o governo. A avaliação é de que o PT falhou na função de fazer a ponte da sociedade com o governo. "Isso não foi feito no primeiro mandato. O PT não mobilizou suficientemente a sociedade na defesa das questões sociais. O partido precisa apoiar o governo mas também trazer as sugestões e as críticas das camadas sociais", disse Marco Aurélio.
A executiva convocou reunião do Diretório Nacional para os dias 25 e 26 de novembro com presença dos governadores, bancadas eleitas e dos prefeitos de capitais.
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