Título: Dólar cai 1,1% e Bolsa vai a nível recorde
Autor: Cristiane Perini Lucchesi
Fonte: Valor Econômico, 23/11/2004, Finanças, p. C2
O dólar voltou a cair com força ontem com investidores desmontando posições contrárias feitas por medo de alguma notícia ruim no final de semana. Um forte fluxo positivo ajudou e a moeda americana teve queda de 1,11% contra o real, passando a valer R$ 2,7550, seu menor valor desde 19 de junho de 2002. Os rumores de que a captação do governo federal brasileiro em reais sairia ainda hoje e os boatos da compra da Telemar pela mexicana Telmex ajudaram a puxar a moeda americana para baixo. A grande dúvida dos analistas é até quando o Banco Central brasileiro vai deixar o dólar cair antes de comprar para recompor reservas internacionais, o caixa em moeda forte, como fez em janeiro. "A intervenção se tornaria provável apenas se o real se fortalecer significativamente, com o dólar indo além de R$ 2,70", afirmam Michael Hood e Gustavo Rangel, analistas do Barclays Capital. Os analistas dizem, em relatório, que, além do nível das reservas, o BC também avalia antes de atuar qual o impacto no câmbio sobre a inflação e sobre o superávit na balança comercial. Hoje, considerando-se os três fatores, o BC vai optar por ficar longo do mercado, dizem eles. O fortalecimento do real, por enquanto, não mudou as expectativas do mercado para a inflação em 2005, segundo o boletim "Focus" divulgado ontem pelo Banco Central. O dólar previsto para o final deste ano continua a R$ 2,90, o mesmo da semana passada, e a inflação para 2005 continua a 5,90%, acima da meta perseguida pelo BC, de 5,1%. A rigidez dessas expectativas ajudou a puxar os juros futuros para cima. O contrato de vencimento em abril projetou 18% ao ano, alta de 0,05 ponto percentual.
Juro futuro tem alta com rigidez das expectativas
Animada com a recuperação em Nova York e com a queda do dólar, a Bolsa de Valores de São Paulo, que chegou a operar em baixa, terminou o dia com valorização de 1,71%. O índice Bovespa, das ações mais negociadas, chegou aos 24.444 pontos, seu maior nível de toda a história. O volume financeiro foi a R$ 1,227 bilhão. O destaque foi as ações da Telemar, que somaram movimento de R$ 175,445 milhões, o maior da Bolsa, e apresentaram alta de 8,64%, a maior do Ibovespa. A Porto Seguro, que inaugurou a venda de ações ordinárias ontem, teve valorização de 6,40% em seus papéis. O risco-Brasil medido pelo EMBI+ do JP Morgan caiu 0,70%, para 427 pontos, acompanhando a queda nos juros dos títulos do Tesouro dos EUA.