Título: Estatal compra térmica do grupo EDP por R$ 96 mi
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 20/12/2004, Empresas, p. B7

A Petrobras anunciou que está comprando, por R$ 96 milhões, a participação de 80% que a portuguesa EDP Brasil tem no capital da termelétrica Fafen, localizada em Camaçari, na Bahia. Esta é a quarta térmica a gás que a estatal assume o controle em um ano. As aquisições fazem parte do programa da brasileira de saneamento da carteira de investimentos em termelétricas. Das 13 usinas onde detêm participação, a estatal negocia a compra do controle de pelo menos outras três: Macaé Merchant (RJ), Termoceará (CE) e Araucária (PR). A Petrobras já era dona de 20% do capital da Fafen. Atualmente a usina fornece 22 megawatts de energia elétrica e 42 toneladas/hora de vapor à fábrica de fertilizantes (Fafen) da estatal localizada em Camaçari. A partir de janeiro está prevista a produção de mais 100 megawatts de energia, já totalmente contratados pela Bandeirante Energia, controlada pela EDP. Segundo a Petrobras, o valor da compra será pago em três parcelas anuais, sendo a primeira de 50% do valor total e as outras duas de 25% cada uma. A petrolífera deu início a esta estratégia de passar de minoritária a dona das usinas no fim do ano passado, quando assumiu o controle da termelétrica TermoRio, após a aquisição dos 7% da PRS Energia por US$ 19 milhões. Como a Petrobras já detinha 43% das ações, passou a ter o controle administrativo da usina. Neste ano, a estatal deu prosseguimento ao plano aumentando a sua participação nas usinas de Termoaçu e Eletrobolt.

Na Termoaçu, no Rio Grande do Norte, a compra foi fechada com o grupo Neoenergia (ex-Guaraniana). Com o acordo, fechado em setembro, a Petrobras passou a ter participação de 80% na térmica. Serão investidos R$ 200 milhões nas obras para construção da usina, que estavam paralisadas desde o ano passado. Da energia a ser gerada pela térmica, 300 MW serão adquiridos pela Cosern (RN) e Coelba (BA), controladas pela Neoenergia. Já a Petrobras ficará com 40 MW e o vapor destinado à produção de petróleo nos campos de Estreito e Alto Rodrigues. Há pouco mais de um mês, a Petrobras comprou o controle da termelétrica Eletrobolt, no Rio de Janeiro, por US$ 159 milhões distribuídos em 30 parcelas mensais fixas e um pagamento de US$ 30 milhões ao final de sete anos. A usina pertencia à Enron, e após a sua falência foi assumida por um consórcio de 17 bancos credores. A Eletrobolt é uma das três usinas do tipo merchant (de venda no curto prazo) com as quais a Petrobras firmou contratos entre 2001 e 2002. As outras duas são a Macaé Merchant (da El Paso) e a Termoceará (da MPX). O diretor de gás e energia da Petrobras, Ildo Sauer, disse que a empresa negocia a aquisição destas outras duas térmicas. O objetivo da estatal é eliminar o prejuízo anual de US$ 330 milhões por ano com o custo fixo destas usinas. Com a Eletrobolt, o custo anual da Petrobras era de US$ 80 milhões. O custo do aluguel da Macaé Merchant fica em US$ 200 milhões mensais. Com a Termoceará, o prejuízo chega a US$ 50 milhões. Existem ainda negociações entre o Ministério de Minas e Energia e o governo do Paraná para a aquisição, por parte da Petrobras, da participação da El Paso na termelétrica de Araucária, que tem a estatal paranaense Copel como sócia minoritária. A Copel encontra-se em um imbróglio judicial com a El Paso, controladora da usina. Estão em curso ainda estudos de construção de uma nova usina de 720 MW em Manaus, em parceira com a Eletrobrás. Orçado em cerca de US$ 450 milhões, o projeto está na fase de estudo de viabilidade técnico-econômica e seria abastecido pelo gás de Urucu. Neste ano, a Petrobras conseguiu reverter o prejuízo que sempre teve com gás e energia. Até setembro, a estatal teve lucro de a R$ 208 milhões com a área, revertendo perdas de R$ 549 milhões apuradas no mesmo período do ano anterior.

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