Título: Produção de julho cai em São Paulo
Autor: Santos, Chico
Fonte: Valor Econômico, 01/09/2006, Brasil, p. A3

Contrariando outros indicadores de julho, o nível de atividade da indústria paulista (INA) recuou 0,3% no mês em comparação com junho, pelos dados com ajuste sazonal, que retira efeitos típicos do mês em análise e o torna comparável aos demais meses. Na avaliação da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), o resultado reflete, mais uma vez, a continuidade da valorização cambial, que tem dificultado a vida dos setores exportadores. Porém, agora há mais uma preocupação: o menor fôlego do mercado interno.

Em julho, os piores desempenhos foram apresentados pelos setores de edição e impressão, coque e refino de petróleo, metalurgia básica, veículos automotores, além de materiais elétricos e material eletrônico e de comunicação. Para o diretor do departamento econômico do Ciesp, Boris Tabacof, o câmbio valorizado já era um problema com o qual os empresários contavam no começo desse semestre.

O segundo semestre deste ano começou tão fraco para a indústria paulista quanto o mesmo período de 2005. Além do nível de atividade ter recuado 0,3% em relação a junho, na comparação com julho do ano passado houve queda de 1,8%. No acumulado do ano, porém, o INA cresceu 3% em relação ao período de janeiro a julho do ano passado. Não é um número robusto, mas quase encosta no resultado total de 2005, quando o INA avançou 3,4%.

No entanto, o que preocupa é a falta de dinamismo do mercado interno, que deveria puxar a demanda por produtos da indústria. "Ele deveria ser o substituto da demanda externa, mas não tem reagido de maneira satisfatória", diz Tabacof. Na sua avaliação, o nível de endividamento das famílias brasileiras está subindo mais depressa do que se esperava, represando o consumo.

Com esse cenário, a Fiesp baixou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% para 3%. "Esse virou o piso, mas não descartamos que a economia cresça somente 2,5%", diz Paulo Francini, diretor do departamento de economia da entidade.

A Fiesp e o Ciesp apontam que além da queda do ritmo das exportações brasileiras e o menor fôlego do crédito, a economia também sofre com falta de investimentos. "O ambiente empresarial é de apreensão", conta Tabacof, que também é vice-presidente do conselho de administração da Suzano Celulose e Papel. Segundo ele, agora é hora de fazer o orçamento de 2007 e as empresas não sabem com quais expectativas para crescimento e câmbio devem contar. (RS)