Título: Produção industrial tem recuo de 0,4% em outubro
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 10/12/2004, Brasil, p. A5

A produção industrial caiu 0,4% em outubro ante setembro, na série com ajuste sazonal. Foi a segunda retração seguida nesta base de comparação, segundo dados apurados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, o declínio foi de 0,2% ante agosto. Com essa segunda retração, a indústria acumula uma queda de 0,6% em dois meses consecutivos. Na comparação com outubro de 2003, porém, houve crescimento de 2,7%. No ano, a produção industrial acumula expansão de 8,3% e, em doze meses, de 7,4%. Para Sílvio Sales, responsável pela pesquisa do IBGE, o resultado negativo indica "uma acomodação na atividade fabril, depois de um crescimento por seis meses consecutivos entre fevereiro e agosto". Sales considera "natural" alternar momentos de crescimento e de ajustes. "Olhando a capacidade instalada e o nível de emprego na indústria vê-se que os indicadores continuam avançando", pondera. A pesquisa do IBGE revela que houve uma redução do ritmo de atividade industrial em 14 das 23 atividades pesquisadas em outubro sobre setembro, na série livre de influências sazonais. As quedas mais expressivas ocorreram na indústria de alimentos (menos 3% ) e no setor de borracha e plásticos (queda de 6,4%), sempre em relação a setembro na série ajustada. Nesta base de comparação, todas as quatro categorias de uso ficaram no vermelho.

O declínio mais acentuado aconteceu em bens duráveis (menos 2,3%), que tinha encolhido 2% em setembro, perdendo 4,3% em dois meses, depois de crescer 16,2% entre fevereiro e agosto. O segmento de bens de capital também reduziu a produção em 1,3% , depois de queda de 4,5% em setembro e expansão de 11,9% até agosto. Em bens intermediários, a retração foi de 0,1%, e em bens de consumo semiduráveis e não duráveis, menos 1,1%, após um crescimento de 1,5% em setembro, primeira alta do ano. O resultado desse segmento, fortemente ligado ao mercado de trabalho, mostrou mais uma vez que o comportamento do rendimento ainda não tem impactado, de forma expressiva, a atividade. Na comparação com outubro de 2003, a indústria registrou um crescimento de 2,7%, taxa pouco significativa, mas a base de comparação é mais elevada. A recuperação da economia brasileira começou no último trimestre do ano passado. Além disso, outubro de 2003 teve 23 dias úteis e neste ano, o mês teve apenas 20 dias úteis, observou o IBGE. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que já havia previsto essa desaceleração por conta das altas taxas de crescimento até agosto, prevê a continuidade dessa trajetória durante o último trimestre do ano, projetando queda de 0,3% na atividade das fábricas no período ante o terceiro trimestre. O Ipea mantém, porém, sua estimativa de crescimento de 8% para a indústria em 2004. Para 2005, prevê uma taxa mais baixa, de 5%. No acumulado do ano, o resultado da produção industrial indica alta em 26 dos 27 setores pesquisados. O maior crescimento ocorreu na produção do setor automotivo, com alta de 30,2% sobre os primeiros dez meses de 2003. Na seqüência, o desempenho mais expressivo foi o do setor de máquinas e equipamentos, com um resultado 17,8% superior ao do mesmo período de 2003. Por categoria de uso, o segmento de bens de capital acumula uma expressiva alta de 21,8% em relação aos primeiros dez meses do ano passado, um sinal expressivo do aumento dos investimentos na economia. O setor de bens duráveis, movido pelas compras a crédito no varejo, teve crescimento de 22,7% na mesma comparação. Prever o resultado de novembro ainda é difícil. A LCA Consultores nota que o único número relevante divulgado até agora foi o da produção de veículos que, após ter caído 5,6% entre setembro e outubro, cresceu 8,7% no mês passado. Ainda que preliminar, esse resultado sugere que a indústria pode ter voltado a crescer em novembro, afirmam os analistas da LCA. Novembro de 2003, contudo, tem uma forte base de comparação: foi o mês de maior produção do ano passado na série com ajuste.