Título: PMDB mantém Chalita para se blindar contra PSD-PSB
Autor: Exman,Fernando
Fonte: Valor Econômico, 06/12/2011, Política, p. A8

Disposto a resistir à pressão do PT, o PMDB está decidido a manter a candidatura do deputado Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo. Mais do que uma disputa paroquial, a eleição paulistana faz parte do projeto nacional do partido. Um sinal da importância que o PMDB dá ao assunto é o fato de o vice-presidente Michel Temer ter encabeçado as articulações para viabilizar a candidatura de Chalita.

Além de reforçar a posição do PMDB na disputa contra o consórcio formado por PSB e PSD, dizem integrantes da cúpula pemedebista, a candidatura de Chalita demonstrará à população e demais grupos políticos que o partido está entre as futuras alternativas de poder em âmbito nacional. A reeleição do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também faz parte desse projeto.

Os pemedebistas acreditam que a legenda não deve se acomodar na aliança com o PT. Primeiramente, porque a legenda que abriga a presidente Dilma Rousseff é a que tem mais chances de tirar do PMDB o título de maior partido do país em curto prazo. Os petistas já têm a maior bancada da Câmara dos Deputados. No Senado, por outro lado, o PMDB permanece mais numeroso que os aliados. Nos Estados, enquanto o PMDB conta com 1.175 prefeitos, o PT soma 545 e já desenha estratégias para obter mais prefeituras nas próximas eleições.

O PMDB também recorre ao exemplo do DEM para justificar sua decisão de não sucumbir às pressões para que abandone a disputa em São Paulo. Quando ainda era PFL, lembram os pemedebistas, o DEM abriu mão de um projeto próprio e aceitou permanecer à sombra do PSDB. No entanto, quando os candidatos tucanos perderam as eleições presidenciais, foi o DEM que mais se enfraqueceu na oposição. O mais recente golpe ocorreu com a criação do PSD, que reduziu a presença do Democratas no Congresso, nas prefeituras e governos estaduais.

Assim, dizem os pemedebistas, as candidaturas de Chalita e Paes demonstrarão que o partido passa por um processo de renovação. Chalita deixou o PSB e filiou-se ao PMDB, após negociar seu destino político com Temer. Com a mudança, obteve o comando do PMDB em São Paulo e a garantia de que seria candidato. Agora, enquanto tenta costurar alianças locais, o vice-presidente da República assumiu as articulações nacionais para impulsionar a candidatura.

Um dos interlocutores de Temer é o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN). O Democratas também tem um pré-candidato ao cargo. Trata-se de Rodrigo Garcia, deputado licenciado e secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo. Os pemedebistas também já procuraram partidos menores a fim de ampliar o tempo da futura campanha de televisão de Chalita.

A ampliação do tempo de TV é visto como fundamental pelos aliados de Chalita, uma vez que o deputado não poderá contar com armas que seus adversários terão à disposição. O candidato petista, ministro Fernando Haddad (Educação), terá em seu palanque as valiosas presenças da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o PSDB do governador Geraldo Alckmin e o PSD do prefeito Gilberto Kassab terão do seu lado as máquinas do governo estadual e da prefeitura, respectivamente.

Mesmo assim, a avaliação do PMDB é que atualmente não há um candidato imbatível à Prefeitura de São Paulo. Com esse cenário em vista, o PMDB já começou a trabalhar a imagem de Chalita junto ao eleitorado. O deputado já apareceu no programa nacional de TV da sigla. Agora, será a única atração de outras inserções da legenda em rede de rádio e televisão.

O PMDB tentará firmar a imagem de Chalita como um político jovem, preparado, católico, ficha limpa, simpático, carismático e com boa capacidade de gestão. Em contraposição aos problemas enfrentados pelo ministro Fernando Haddad com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo, Chalita deve explorar o período em que foi secretário da Educação no governo de Geraldo Alckmin.

Temer e Chalita também trabalham para unificar o PMDB paulistano em torno desse projeto eleitoral. Temer, que é presidente licenciado da sigla, já sinalizou aos seus correligionários que não aceitará "jogo duplo" no partido. Desde o fim de 2010, quando morreu o ex-governador Orestes Quércia, o vice-presidente da República vem tentando acabar com as divisões internas do PMDB paulista.

Outro foco da cúpula do PMDB é a ala ligada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O pemedebista Bebeto Haddad, por exemplo, comanda a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo.

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