Título: Governo busca mais crédito a exportador
Autor: Leo,Sergio
Fonte: Valor Econômico, 25/01/2012, Brasil, p. A4

Novas fontes de financiamento ao comércio exterior, administradas pelo setor público mas menos dependentes do orçamento do que os atuais instrumentos oficiais, como o Proex, estão entre as principais medidas em discussão pelo governo, que a presidente Dilma Rousseff quer discutir no início de fevereiro. Os ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento e das Relações Exteriores, o Banco do Brasil e o BNDES estão encarregados de apresentar à presidente as propostas para aumentar a competitividade das exportações brasileiras.

"Temos de correr atrás do que perdemos e correr à frente do que ganhamos", disse Dilma durante a reunião com os ministros, na segunda-feira, ao explicitar sua preocupação em recuperar mercados que têm se retraído para as mercadorias brasileiras e avançar nas fronteiras conquistadas nos últimos anos. Na reunião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, detalhou o temor de reflexos negativos com a desaceleração da economia mundial, embora os epicentros da crise, Estados Unidos e Europa, tenham perdido importância relativa na pauta de exportações brasileira.

Mantega comentou que, entre 2008 e 2011, a fatia da União Europeia no mercado para exportações brasileiras passou de 22,3% para 20,5%; a dos EUA, de 14,3% para 12,4%; e também a América do Sul caiu de 16,9% para 15,9%. Todos perderam espaço para a China, que elevou sua parcela de 9,9% para 16%. Foi a diversificação de mercados que permitiu, na opinião do ministro, aumentar o saldo positivo no comércio exterior, de US$ 24,9 bilhões em 2008 para US$ 29,8 bilhões em 2011. Esse é um dos motivos pelos quais, segundo a cúpula da equipe econômica, o país precisa adotar medidas para garantir a competitividade dos exportadores e manter a expansão.

Um exemplo do que pode ser feito, segundo um dos participantes da discussão das novas medidas de financiamento, foi o Fundo de Financiamento às Exportações (Fefex) criado pelo plano Brasil Maior e aprovado no ano passado pelo Congresso, para financiamento de pequenas e médias empresas, especialmente nos setores de têxtil, couro, cerâmicas e software. O fundo poderá ter participação do setor privado, mas necessita de regulamentação, para constituir linhas de crédito a serem oferecidas sem necessidade de aprovação para cada operação financeira específica.

Os técnicos do governo avaliam que, embora o setor privado se encarregue de boa parte dos financiamentos à exportação, é o governo, por meio do Proex, que garante a equalização dos juros, cobrindo a diferença entre as taxas cobradas no país e as do mercado internacional. Está em discussão um reforço nas linhas existentes (que receberam cortes na programação orçamentária de 2012). Assim o Fefex para pequenas e médias empresas, devem ser criados instrumentos para setores específicos.

Dilma quer atenção especial aos programas de financiamento de mercadorias para África e América do Sul, que considera os mercados com potencial de maior dinamismo nos próximos anos. Mas, como deixou claro na reunião, não admite que os mercados tradicionais fiquem de lado. Apesar dos bons resultados na captação de investimentos, a presidente não quer que o comércio tenha peso negativo sobre as contas externas em 2012.