Título: Mercadante ameaça favoritismo de Marta Suplicy
Autor: Moreira, Ivana
Fonte: Valor Econômico, 13/04/2006, Política, p. A14

O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) reequilibrou sua posição na disputa com a ex-prefeita paulistana Marta Suplicy na prévia do partido para a escolha do candidato ao governo estadual, depois de receber o apoio do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e de seu grupo político, composto por seis prefeitos, doze presidentes de diretórios municipais e oito deputados estaduais. Até ser atingido por denúncias de envolvimento com o mensalão, João Paulo era pré-candidato a governador, com força concentrada na região metropolitana da capital.

Com isto, os aliados de Mercadante projetam a vitória do senador entre os petistas da região metropolitana e do interior, que representam 60% do colégio eleitoral. Marta deverá ganhar na capital e obter bom resultado em Diadema e São Bernardo do Campo. O desempenho dos dois pré-candidatos nas pesquisas de opinião é o principal trunfo da ex-prefeita para a prévia de 7 de maio. Marta consegue intenções de voto superiores a Mercadante nas pesquisas. Caso a diferença entre os dois aumente este mês a favor da prefeita, isto deverá influenciar no resultado final. "A eleição interna do PT também é uma eleição de massa, que se influencia por fatores como este, desde que a diferença fosse expressiva, o que não é o quadro com que trabalhamos", comentou o deputado estadual Vicente Cândido, aliado do senador.

O mais expressivo apoio de Marta entre os dirigentes do partido é o do secretário de Relações Internacionais da sigla, Valter Pomar, que ficou em terceiro lugar na eleição para presidente do PT, no ano passado. Mercadante tem o apoio de 12 deputados estaduais e de 11 federais.

O apoio de João Paulo a Mercadante só foi possível depois de o deputado ser absolvido pelo plenário da Câmara do processo de cassação do mandato por perda de decoro, em razão de seu envolvimento no escândalo do mensalão. "Não fosse isso, ele provavelmente teria apoiado Marta Suplicy", admitiu Vicente Cândido. Mercadante, assim como toda a cúpula do PT, trabalhou pela absolvição de João Paulo.

Ao formalizar o apoio ontem, João Paulo procurou uma justificativa muito além da retribuição de apoio: disse que a candidatura de Mercadante colabora para a campanha presidencial pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, já que nacionalizaria a disputa em São Paulo. Marta Suplicy, por ter tido atuação local, poderia dissociar as campanhas: "Neste momento, prioritária é a campanha de Lula. Aqui em São Paulo, de fato há uma situação difícil para nós. Não diria que ganhar em São Paulo é vital, porque já elegemos o presidente perdendo aqui, mas ter sustentação em São Paulo é importante", disse o deputado. O ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) lidera as pesquisas de opinião, com índices entre 55% e 60% de intenção de voto, conforme o cenário.

Ao agradecer o apoio, Mercadante fez uma alusão indireta às denúncias que envolvem João Paulo. "Não podemos ficar fulanizando o debate, afirmando que fulano fez isso, fulano fez aquilo. Temos que pensar o país, temos que proporcionar um debate qualificado, de propostas e de idéias, na campanha eleitoral", afirmou