Título: Desemprego formal desafia OIT na AL
Autor: Galvão, Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 03/05/2006, Brasil, p. A3
A América Latina tem um déficit de emprego formal que prejudica 126 milhões de pessoas. Nesse universo, 23 milhões não têm ocupação e 103 milhões dependem de atividades informais, sem acesso à seguridade social. Portanto, 53% da população economicamente ativa da região, de 239 milhões de pessoas, é afetada. Se nenhuma política pública for adotada para criar mais e melhores empregos, esse déficit pode chegar aos 158 milhões de pessoas em 2015. Essas são as principais medidas das dificuldades que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) vai enfrentar com a proposta de uma agenda hemisférica para geração de trabalho decente.
O diretor-geral da OIT, Juan Somavia, informa também que, na América Latina, seis em cada dez empregos criados são informais. Esse trabalho precário também está crescendo na Europa, mas vem se reduzindo na Ásia. Na análise da OIT, os países da América Latina teriam de crescer 5,5% ao ano para evitarem o aumento do desemprego e do emprego informal. As mulheres são as maiores prejudicadas: para esse grupo da população, o desemprego é 40% maior e a renda é 66% menor que a dos homens. Aproximadamente 57 milhões de jovens entre 15 e 24 anos trabalham ou querem trabalhar na região, mas 42% (9,5 milhões) estão desocupados.
Somavia participa hoje da abertura da 16ª reunião regional da entidade, em Brasília. Está prevista a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia. A OIT vai propor aos governos latino-americanos um plano de trabalho até 2015. Os quatro desafios são: crescimento econômico com emprego para todos, cumprimento dos direitos trabalhistas, adoção de novos mecanismos de proteção social e combate à exclusão social.