Título: Ocupação de gasodutos preocupa
Autor: Goes, Francisco e Goméz, Natália
Fonte: Valor Econômico, 03/05/2006, Especial, p. A10
Executivos de multinacionais da área de petróleo e gás que atuam em território boliviano ficaram atônitos com os acontecimentos dos últimos dois dias, apesar das medidas de nacionalização serem uma promessa de campanha de Evo Morales.
O motivo da surpresa, muito mais que o decreto ou qualquer discurso do presidente boliviano, foi a ocupação das empresas por militares e técnicos da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), estatal boliviana, que expulsaram os executivos das multinacionais para assumir as operações das empresas.
A Transredes, empresa que opera 90% da infra-estrutura de transporte de gás da Bolívia, e é controlada pelas multinacionais Prisma (ex-Enron) e Shell teve seu centro de operações invadido ontem e os técnicos e executivos da empresa foram colocados pra fora da companhia.
O mesmo aconteceu na Gás Transboliviano (GTB), empresa que controla o lado boliviano do gasoduto que transporta o insumo ao solo brasileiro - e onde a Petrobras tem participação minoritária.
Segundo um executivo próximo às empresas que atuam na Bolívia, tais medidas põem em risco o abastecimento porque a YPFB não possui um quadro de técnicos qualificados em número suficiente para controlar todas as operações de transporte do país vizinho.
O executivo disse que não há articulação entre as empresas multinacionais que atuam na Bolívia. E parte deste tipo de falta de união é a expectativa que empresas como a Petrobras e a Repsol, por exemplo, tinham de receber tratamento diferenciado na Bolívia - o que não aconteceu.