Título: Propostas do G-33 ameaçam país, dizem produtores rurais
Autor: Moreira, Assis
Fonte: Valor Econômico, 23/06/2006, Brasil, p. A3

Um grupo de países em desenvolvimento, entre eles Índia e China, vem defendendo propostas nas negociações comerciais da Organização Mundial do Comércio (OMC) que podem prejudicar severamente os interesses exportadores brasileiros, acusam oito das principais associações de grandes produtores rurais do país, em carta enviada ontem ao governo.

Alguns desses países, reunidos no chamado G-33, de nações em desenvolvimento com interesses protecionistas em agricultura, também fazem parte do G-22, grupo coordenado pelo Brasil para defender as propostas do país em matéria de agricultura, na OMC.

As propostas do G-33 ameaçam, segundo os produtores brasileiros, as exportações de produtos como açúcar, etanol, carnes, oleaginosas (soja, principalmente) e arroz. Se aceitas na atual rodadas de negociações comerciais da OMC, conhecida como Rodada Doha, poderão afetar a expansão das exportações brasileiras para seus mercados "mais dinâmicos", que são exatamente os países em desenvolvimento, na Ásia, na África e no Oriente Médio.

Os países do G-33 querem autorização da OMC para manter uma lista de produtos com barreiras proibitivas à importações e para aumentar tarifas e impor barreiras em casos de aumento de importações ou redução de preço dos produtos agrícolas importados. As propostas do G-33, se adotadas, irão "sem dúvida acirrar o protecionismo agrícola mundial", ao "elevar abusivamente os níveis de proteção" já autorizados pela OMC, inclusive para países como a China, que entraram recentemente na organização, afirmam os produtores, capitaneados pela Confederação Nacional da Agricultura.

O Itamaraty recebeu com aprovação a carta, que pode servir de trunfo na discussão interna do G-20. Mas os diplomatas se dizem pouco dispostos a levantar a questão agora, quando a proposta do G-33 já tem encontrado forte oposição de países desenvolvidos.

Esse tema não é essencial, agora, e a prioridade brasileira é encontrar pontos de contato e não de cisão, no G-20, explicam negociadores brasileiros. O representante do Brasil na OMC, Clodoaldo Hugueney, chegou a circular um texto sondando alterações na proposta do G-33, mas a proposta foi rechaçada no G-20.