Título: Exportação de carne bate novo recorde e já atinge US$ 1,716 bi no semestre
Autor: Rocha, Alda do Amraral
Fonte: Valor Econômico, 11/07/2006, Agronegócios, p. B13
O Brasil fechou o semestre com receita recorde nas exportações de carne bovina, mesmo com os embargos de 56 países importadores após a descoberta de focos de aftosa no fim de 2005. Foram US$ 1,716 bilhão exportados entre janeiro e junho deste ano, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec). O valor é 16,24% superior ao de igual período de 2005. Em junho, as exportações também foram recordes, com receita de US$ 351,6 milhões, alta de 15% sobre igual intervalo de 2005.
O volume exportado em junho, porém, caiu 2,8%, para 221,9 mil toneladas. Em todo o semestre, os embarques subiram 0,54%, para 1,157 milhão de toneladas.
O presidente da Abiec, Pratini de Moraes, afirmou que o aumento da receita se deve a uma melhora nos preços na exportação, que tiveram valorização média de 16% no semestre. "Ainda não é suficiente para compensar a valorização do real [sobre o dólar] no período, de 24%, mas já ajuda", afirmou.
Na opinião de Pratini, o embargo (parcial ou total) de 56 países à carne brasileira "não é relevante" porque os frigoríficos exportadores conseguiram redirecionar a produção para Estados que não estão impedidos de exportar.
A oferta limitada de carne bovina - devido às restrições impostas pelos países - explica a alta dos preços na exportação. Segundo Pratini, em países como Rússia e Chile, que restringiram as compras do país, a carne chegou a subir 60% e 80%, respectivamente, no mercado doméstico.
Pratini disse que o objetivo é seguir buscando a valorização de preços em mercados tradicionais e destacou que as vendas seguem em alta para países emergentes, como Egito e Bulgária. "Os emergentes estão comendo melhor".
Ele avalia que mesmo que os embargos atuais sejam mantidos, os volumes exportados ainda crescerão entre 3% e 5% este ano e a receita, de 15% a 20%.
Sobre a missão da União Européia que visita o Brasil - e que deve decidir sobre o embargo a São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul -, Pratini disse esperar que os técnicos não sejam suscetíveis às recentes pressões de pecuaristas irlandeses. Esses criadores, que concorrem com a carne brasileira, defendem a ampliação do embargo a todo país. "[Os europeus] Vão acabar tirando o embargo, mas não sei quando".
Para ele, os embargos devem ser retirados por causa da importância da carne brasileira no mercado internacional. "Das 44,7 milhões de toneladas de carne bovina consumidas no mundo (Brasil já excluído), 5% são provenientes do Brasil", disse.
O diretor da Abiec, Antônio Camardelli, informou que o setor espera o resultado da análise de risco sobre "vaca louca" feita por uma entidade internacional, a suíça Safoso, que deve indicar risco improvável de a doença ocorrer no Brasil.