Título: Garotinho é desafiado com registro pelo PSC
Autor: Magalhães, Heloísa
Fonte: Valor Econômico, 11/07/2006, Política, p. A6

O ex-governador fluminense Anthony Garotinho continua no PMDB, apesar de não ser candidato à Presidência como queria, e começa a ver ameaçado o seu domínio sobre o PSC. Esta semana, um militante em Santa Catarina, Carlos Alberto Machado, aproveitou-se do fato de o partido não ter feito convenção presidencial para registrar-se candidato no TSE.

A candidatura deverá ser cassada , mas é a resultante do processo de enfraquecimento de Garotinho no PSC. O ex-governador trabalhou para que fosse lançado candidato a presidente um ex-assessor, Rogério Vargas, mas cedeu ante a resistência dos candidatos a deputado pela sigla.

Sobre Machado, Garotinho afirmou sequer o conhecer o Machado. E quem o conhece, como o ex-presidente do PSC catarinense, Emerson Antunes, credita ao militante um movimento de busca de "cinco minutos de fama". Resumiu: "Ele estava sumido e apareceu com essa. É uma figura folclórica por aqui", afirmou. Machado declarou como valor máximo de campanha presidencial R$ 100 milhões, valor acima dos gastos previstos para a campanha à reeleição do presidente Lula , de R$ 89 milhões.

Segundo o presidente no Rio do PSC, Ronald Ázaro, a intenção de Machado não se sustenta. Ele tentou se lançar na convenção do partido, em 15 de junho, mas ficou decidido por unanimidade que o PSC não teria candidato. Azaro disse que qualquer militante pode protocolar a candidatura mas se ficamantida é outra questão. "A principal liderança que o PSC apóia é Anthony Garotinho", frisou Ázaro.

Se ex-governador fluminense vai sair do PMDB e filiar-se ao PSC é ainda incerto. Garotinho disse ontem ao Valor que é cedo para tomar qualquer decisão. Mas disse uma coisa é certa: ele se tornou um anti-Lula. Apesar de caciques de seu partido apoiarem o presidente, Garotinho avalia um PMDB dividido.

Disse que tem um ressentimento muito grande dos líderes do PMDB que lutaram contra sua candidatura, apesar do grande apoio da base ao seu nome. "Mas vamos deixar o processo fluir e avaliar os próximos acontecimentos. Tive um contato com Geraldo Alckmin e depois conversei várias vezes com ele pelo telefone. Vamos deixar o processo caminhar. Muitos prefeitos apóiam Alckmin, os mais jovens estão com Heloisa Helena mas também tem muita gente com afinidade com Cristóvão Buarque", do PDT. Disse que poderia estar ao lado do pedetista se este apoiasse que seu partido não tivesse candidato ao governo do Rio de Janeiro. "Mas o PDT preferiu manter candidatura própria, apesar do Carlos Lupi, estar com 1% nas pesquisas", afirmou.

O apoio de Garotinho às candidaturas presidenciais passa exatamente pelas eleições do Rio. Praticamente todos os partidos mantém candidatos no Estado. Quanto à futura filiação partidária, a transferência de Garotinho para o PSC chegou a ser divulgada mas ele disse que pretende decidir somente depois das eleições . "Vou ver o que vai acontecer dentro do PMDB, ver se nosso grupo vai ter maioria ou não", disse. E aí vai decidir se deixa o partido. O ex-governador disse que está se recuperando da greve de fome, em maio,que lhe acarretou gripes consecutivas. Recolhido no Palácio Laranjeiras, residencial oficial da governadora, sua mulher, Rosinha Matheus, falou ao Valor pelo telefone.