Título: Redução de tarifa revela cenário ruim para telefonia fixa
Autor: Fariello, Danilo
Fonte: Valor Econômico, 12/07/2006, EU & Investimentos, p. D2
A redução de tarifas das operadoras de telefonia fixa aprovada na semana passada e suas conseqüências para o crescimento da receita dessas empresas evidenciaram a dificuldade enfrentada pelo setor no país. A queda das tarifas é a ponta de um imenso iceberg que o segmento tem de desviar para continuar a oferecer remuneração aos seus acionistas. O principal desafio das companhias é combater a redução do número de linhas fixas, motivada principalmente pela concorrência voraz da telefonia móvel. Impulsos à retomada de alta dessas empresas existirão, segundo os analistas, conforme aumentar a oferta de serviços integrados e diferenciados, tais como telefonia móvel e banda larga.
Na semana passada, a Anatel determinou cortes de 0,3759% para a Telefônica (cuja ação negociada na bolsa daqui é a Telesp), de 0,4222% para Brasil Telecom e de 0,5134% para a Telemar. Diversas corretoras consideraram a redução das tarifas ligeiramente ruins para as ações, porque previam reajuste zero para as três operadoras com ações na Bovespa. A Fator Corretora avaliou como neutra a indicação de Plínio de Aguiar Júnior para a presidência interina da Anatel, prevendo que as análises poderão ser revistas quando o presidente definitivo for nomeado. Embora o impacto das notícias tenha sido pequeno, as perspectivas anteriores eram reticentes para o setor.
A corretora Ágora recomenda manutenção das ações Telesp PN, Telemar PN e Brasil Telecom Participações PN. Já a Fator Corretora avalia que o setor, em geral, poderá ter desempenho acima do Índice Bovespa (Ibovespa) nos próximos meses e tem recomendação de compra para as três. A Espírito Santo Research, no entanto, é mais conservadora e avalia que esses papéis deverão apresentar desempenho abaixo da média do mercado no futuro próximo.
Segundo o site Thomson One Analytics, Telesp PN tem preço alvo médio de R$ 63,68, o que implica alta de 37,8% para o papel frente o fechamento de ontem. Para Telemar PN, o preço considerado justo é, em média, de R$ 47,19 - potencial de a alta de 71,5%. Para Brasil Telecom Participações PN, a projeção média é de R$ 24,08, com alta de 85,0%.
Esses números revelam projeções de mais longo prazo, que vislumbram perspectivas mais positivas ao considerarem a adoção de tecnologias e serviços diferenciados pelas empresas. É o caso, por exemplo, dos serviços de telefonia móvel oferecidos por Telemar e, mais recentemente, Brasil Telecom, além da oferta de banda larga de internet. "Por enquanto, essas medidas apenas mantêm a fatia de mercado de cada uma mas no futuro poderão ser fundamentais para o maior crescimento", diz Roger Oey, analista de telecomunicações da Banif Primus.
Neste momento, ele diz que ainda segue elevado o nível de incertezas com o sucesso da convergência de serviços de comunicações pelas empresas. Oey destaca que essas ações já apresentam desempenho inferior ao Ibovespa no passado recente por isso.
No curto prazo, o analista da Banif indica como preferida a ação da Telesp por conta da sua melhor política de oferta de dividendos, que reduz a oscilação do papel. Além disso, o mercado ainda considera possível uma fusão positiva entre Vivo e Telesp. "No longo prazo, a Telemar pode ser a melhor opção, pois está mais avançada no modelo integrado de comunicação."