Título: Produção industrial no Amazonas cresce bem abaixo da média nacional
Autor: Salgado, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 12/07/2006, Brasil, p. A2
A produção da indústria amazonense recuou pelo segundo mês consecutivo. A greve da Receita Federal, o menor crescimento das exportações e a retração da demanda doméstica por aparelhos celulares explicam esse fraco desempenho. De acordo com os dados dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro a maio deste ano a produção industrial no Amazonas avançou 1,7%, abaixo da média nacional, que ficou em 3,3%. Isso não acontecia, para o mesmo período, desde 2003.
A greve da Receita, que começou no dia 2 de maio deste ano, foi um fator que complicou a produção, mas os números mostram que a atividade no Amazonas já vinha perdendo fôlego antes desse acontecimento. Nos 12 meses terminados em maio, a indústria amazonense acumula uma alta de 5,3% na produção. Esse número é menor do que o acumulado em abril, 7,9%, e também inferior ao de março, que ficou em 10,7%. Em fevereiro, o acumulado em 12 meses estava em 11,3%. "É um movimento de redução no ritmo do crescimento que vem ocorrendo há alguns meses", afirma André Macedo, coordenador da área de pesquisas industriais do IBGE.
Neste ano, de janeiro a maio, a produção de celulares no Estado caiu 33,5%, pelos dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Macedo lembra que só a indústria de material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicação representa 40% do total da indústria no Amazonas. E nesses 40% é grande o peso dos celulares.
Para Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, a menor demanda do mercado interno por celulares impactou a produção. Nos cinco primeiros meses do ano, o número de aparelhos habilitados foi 24% menor. No mesmo período de 2005, houve crescimento de 35% na quantidade de habilitações.
O recuo das exportações do pólo industrial de Manaus também puxou para baixo a produção. Até maio, as vendas externas caíram 19,7%. Ao mesmo tempo, as importações subiram 42%. Ainda assim, tanto Borges quanto Macedo ressaltam que a produção foi afetada pela greve da Receita, já que a indústria da Zona Franca usa muitos componentes importados e o desembaraço desses produtos foi prejudicado pela paralisação.
Pelos dados do IBGE, a produção industrial, sempre na comparação de janeiro a maio com igual período de 2005, cresceu em 11 das 14 regiões pesquisadas. O destaque ficou por conta do Pará, onde a indústria cresceu 13,2% apoiada, sobretudo, no avanço da indústria extrativa (20,4%).
Acima da média nacional (3,3%), figuram ainda o Ceará (7,2%), Bahia (6,3%), Minas Gerais (5,8%), Pernambuco (4,5%), além de São Paulo (4%), devido, principalmente à indústria automobilística, e Rio de Janeiro (3,9%), com destaque para extração de petróleo. As exceções foram os Estados do Paraná (-4,3%), Rio Grande do Sul (-3,2%) e Santa Catarina (-0,7%). O Nordeste, por sua vez, igualou a média nacional. Com taxas abaixo da média de 3,3% da indústria nacional, estão Espírito Santo (2,6%), Goiás (1,7%) e Amazonas (1,7%). (Com ValorOnline)