Título: Para empresários, país tem vantagens sobre China
Autor: Baeta, Zínia
Fonte: Valor Econômico, 12/07/2006, Brasil, p. A5
O avanço econômico dos países asiáticos está entre as preocupações de empresários brasileiros e alemães. O tema, e principalmente a China, esteve presente nas diversas rodadas de discussões promovidas durante o 24º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado em Berlim, e do qual participaram cerca de 400 empresários das duas nacionalidades.
O presidente da Confederação Nacional das Indústrias da Alemanha, Jürgen Thumann, abriu o evento citando o crescimento dos países emergentes, o acirramento da concorrência internacional e a pressão sobre os países industrializados para melhorar as condições nacionais. "Com preocupação e impaciência crescentes observo o debate pelas reformas na Alemanha", disse Thumann, que também defendeu a promoção de acordos entre Brasil e Alemanha.
Segundo ele, mais de 40% dos investimentos da Alemanha na America Latina são destinados ao Brasil. Apesar disso, os investimentos permanecem estáveis nos últimos cinco anos, conforme exposição do presidente do Conselho de Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria do Brasil (CNI), Osvaldo Douat.
Europa Oriental e Ásia ganharam espaço entre os investidores alemães, mas as vantagens do Brasil em relação a outros emergentes foi defendida por empresários brasileiros e alemães. Thumann lembrou que o Brasil abre o acesso a mais de 180 milhões de consumidores no Mercosul.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Paraná, Rodrigo Costa da Rocha Loures, a China é um concorrente sério, mas o Brasil está preparado para crescer, pois possui estabilidade econômica, posição geopolítica privilegiada na América do Sul.
Durante entrevista, Uriel Sharef, da Comissão Mista de Infra-estrutura e Energia, listou as vantagens de investimento no Brasil. Ele ressaltou o mercado consumidor, a diversidade industrial e os incentivos fiscais oferecidos pelo país, além de estabilidade econômica e um mercado financeiro moderno.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, quando questionado sobre uma possível ameaça da China ao Brasil, disse que a China é uma grande potência industrial, mas tem carências que o Brasil não tem, como energia e matérias-primas agrícolas e industriais.