Título: Surpreendidos, diretores de fundos de pensão vão estudar a proposta
Autor: Rocha, Alda do Amaral
Fonte: Valor Econômico, 17/07/2006, Brasil, p. A4
Dirigentes de fundos de pensão, osprincipais sócios da Perdigão, disseram ter sido surpreendidos ontem com a notícia da oferta da Sadia. Segundo Wagner Pinheiro, presidente da Petros, eles não sabiam da oferta. "Ainda não fomos informados. Quando recebermos a proposta oficialmente vamos avaliar, como se deve fazer no caso de qualquer proposta. Vamos comparar números, o que for oferecido com as projeções de fluxo de caixa e demais previsões para o futuro da empresa", disse Pinheiro.
Ele lembrou que no novo estatuto, feito após a pulverização das ações no ano passado, uma série de regras foi estabelecida. "Inclusive a que prevê a extensão da oferta aos demais acionistas no caso de aquisição de fatia superior a 20%".
Segundo apurou o Valor junto a uma fonte do conselho da Perdigão, o assunto ainda não havia chegado ao Conselho de Administração da companhia. "No passado, cheguei a ouvir conversas informais sobre uma eventual possibilidade de fusão, mas há muito que isso não é falado. A empresa vem crescendo muito e tem ótimas perspectivas. Mas estou surpreso com a notícia", disse a fonte.
De acordo com uma outra fonte ligada aos fundos de pensão, a preocupação com uma eventual investida de grandes empresas estrangeiras no setor de atuação da Sadia e da Perdigão é uma questão antiga para ambas as empresas, principalmente a Sadia, que é líder do mercado. "Por isso chegou a se falar nesta idéia de fusão, que não avançou. Mas isso foi no passado. No entanto, a preocupação em se proteger de um concorrente estrangeiro permaneceu, o que poderia ter relação com essa oferta", avaliou a fonte.
Segundo um outro interlocutor ligado aos sócios da Perdigão, os maiores acionistas só começaram a ter alguma informação sobre a proposta no fim da tarde de ontem. "As notícias preliminares que tivemos dão conta de que há uma oferta não solicitada e que eles (a Sadia) teriam levantado um financiamento de R$ 4 bilhões com o Banco ABN Amro, mas ainda está tudo muito impreciso. Estamos tomando pé da situação", disse a fonte. De acordo com esse interlocutor, ainda é cedo para fazer qualquer tipo de avaliação sobre a oferta. "Os sócios agora devem se reunir para discutir e fazer conta", concluiu.
Segundo fontes próximas da Sadia, os fundos de pensão poderão também decidir trocar suas ações da Perdigão por papéis da Sadia, com direito inclusive a um assento no conselho de administração da nova empresa. Hoje, além da Petrus, têm participações relevantes no capital da Perdigão a Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Sistel, Valia (Vale do Rio Doce), Real Grandeza e o fundo que reúne trabalhadores do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A Sadia sempre resistiu a fazer uma oferta hostil para a compra da sua competidora, mas desde que a Perdigão decidiu pulverizar o capital começou a estudar como seria possível comprar a outra companhia segundo as novas regras societárias adotadas adotadas pelos seus principais acionistas. (Colaboraram Raquel Balarin e Vera Brandimarte, de São Paulo)