Título: Atacado gera recuo de inflação em julho
Autor: Landim, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 28/07/2006, Especial, p. A12
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentou variação de 0,18% em julho. A taxa ficou abaixo das previsões do mercado, que projetava alta de 0,36%, segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Em junho, a variação tinha sido de 0,75%. O IGP-M acumula no ano alta de 1,58%, e em 12 meses, 1,39%.
A perda de fôlego foi comandada pelo movimento dos preços no atacado e construção civil. O Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do índice, avançou 0,21%, enquanto no mês anterior havia apurado elevação de 1,11%.
O grupo bens intermediários registrou variação negativa de 0,04%, após apontar 1,63% em junho. O subgrupo materiais e componentes para a manufatura, que teve a taxa reduzida de 1,81% para -0,03%, foi responsável por decréscimo de 0,41 ponto percentual no resultado do IPA.
As matérias-primas brutas variaram 0,49%, em julho, ante 2,75%, em junho. Os itens soja em grão (6,34% para -1,05%), cana-de-açúcar (11,01% para 0,37%) e aves (3,43% para -3,68%) foram os principais responsáveis pela desaceleração do grupo. Esses movimentos foram compensados em parte pelas acelerações dos preços de bovinos (-1,83% para 1,20%), arroz em casca (4,29% para 16,75%) e laranja (-17,90% para -8,70%).
A desaceleração dos preços no atacado só não foi maior porque o grupo de bens finais subiu 0,39% em julho, após ter mostrado queda de 0,81%, no mês anterior. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), por sua vez, variou 0,57% no mês de julho, ante alta de 1,45% em junho.
Os preços ao consumidor caminharam em sentido oposto. Impulsionado pela alta dos alimentos, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apresentou variação de -0,08%, em julho, o que significou aceleração em relação à taxa apurada no mês anterior, que havia sido de -0,44%.