Título: Indicadores apontam acomodação em junho
Autor: Landim, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 28/07/2006, Especial, p. A12
Fábio Romão, economista da LCA Consultores: melhora da economia é estímulo para voltar a procurar emprego Indicadores divulgados ontem confirmam que a economia brasileira desacelerou um pouco no segundo trimestre - em relação ao forte ritmo de crescimento nos primeiros três meses do ano - , mas que as perspectivas para o restante do ano são positivas . O aumento da renda e a disponibilidade de crédito devem garantir um bom ritmo para a atividade econômica, apesar do fraco desempenho do setor exportador.
Em junho, a taxa de desemprego, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atingiu 10,4%, um aumento expressivo em relação aos 9,4% do mesmo período em 2005. Em relação aos 10,2% registrados em maio desse ano, a taxa ficou praticamente estável. O número de desempregados chegou a 2,3 milhões de pessoas.
O Indicador do Nível de Atividade (INA), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), subiu apenas 0,1% em junho ante maio com ajuste sazonal.
Outros índices reforçam o ritmo mais fraco da atividade no último mês. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o número de carros produzidos no mês passado foi 1,6% menor que em junho de 2005. A expedição de artigos de papelão ondulado, calculado pela Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO), foi 5,1% menor em junho ante igual mês em 2005. Esses dados são considerados indicadores antecedentes de toda a produção industrial.
"Junho foi um mês atípico. A copa do mundo de futebol atrapalhou a produção industrial", diz Lygia de Salles Freire Cesar, economista da Rosenberg & Associados. Ela projeta queda de 1% na produção industrial em junho desse ano ante maio. Os economistas, no entanto, não estão alarmados com esse arrefecimento da atividade. "O segundo trimestre foi um pouco mais fraco, mas é um movimento normal da economia. Não vejo com preocupação", diz Giovana Rocca, economista do Unibanco.
Ela chama a atenção para o aumento do número de pessoas ocupadas nas regiões metropolitanas. Segundo o IBGE, foram gerados 170 mil postos de trabalhos de maio para junho, alta de 0,9% na taxa de ocupação. Em relação a junho de 2005, o aumento é de 1,6%.
Mesmo com esse crescimento da taxa de ocupação, o desemprego aumentou porque ela não foi suficiente para contrabalançar o aumento da população economicamente ativa. O contingente de pessoas na força de trabalho foi estimada em 22,5 milhões, 1,1% superior a maio e 2,7% mais que em junho de 2005. Fábio Romão, economista da LCA Consultores, explica que pessoas que estavam sem esperanças de encontrar uma ocupação voltaram a procurar emprego por conta dos sinais de melhora da economia.
Para os economistas, o dado mais positivo é a renda. O rendimento médio real da população ocupada cresceu pelo quinto mês consecutivo. A renda aumentou 0,5% em junho em relação a maio. A alta chega a 6,7% na comparação com junho de 2005. No primeiro semestre em relação a igual período em 2005, a expansão do rendimento foi de 4,4%. Giovanna, do Unibanco, calcula que a massa salarial (população ocupada multiplicada pelo salário real) cresceu 8,4% nos últimos 12 meses.
Para Romão, os dados reforçam a tese de que a massa salarial cresce mais apoiada no rendimento do que na ocupação. Por conta do câmbio valorizado, setores exportadores e intensivos em mão-de-obra estão fechando postos de trabalho. É o caso de têxteis e móveis. O emprego agrícola não vai bem, por conta da crise no campo. Por outro lado, o aumento da renda é favorecido pela elevação do salário mínimo e pela queda da inflação.
Giovana, do Unibanco, estima alta de 3,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) esse ano, puxado pelo aumento da demanda interna. "O crescimento do emprego e do salário aquecem o consumo doméstico", diz. Lygia, da Rosenberg, aponta fatores positivos para o segundo semestre: um mercado de trabalho melhor, ampla oferta de crédito, queda da taxa de juros, e os gastos do governo concentrados em programas de transferência de renda, o que ajuda o consumo.