Título: Eleitor quer transparência
Autor: Mainenti, Mariana; Pires, Luciano
Fonte: Correio Braziliense, 10/10/2010, Economia, p. 14
Embalados por marqueteiros, candidatos têm a obrigação de mostrar o que planejam para levar o Brasil à condição de potência econômica
Entre promessas, frases soltas e compromissos públicos assumidos à luz do dia, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) tentam ganhar terreno político e, ao mesmo tempo, atrair eleitores para debaixo de seus guarda-chuvas nesta reta final das eleições presidenciais. Embora não tenham protocolado até agora programas de governo formais, pelas propostas e intenções de cada um é possível definir pontos de convergência e onde a petista e o tucano mais se distinguem. O receituário econômico-eleitoral de 2010 não é muito diferente do oferecido ao brasileiro em disputas anteriores. O salário mínimo e os juros, por exemplo, despertam entre os candidatos declarações e posições firmes, como se ambos estivessem no palanque o tempo todo. O futuro do funcionalismo, o que será feito para aumentar a oferta de emprego no país e a gangorra do dólar que tanto ameaça a indústria nacional também alimentam as campanhas e ajudam a mexer com o imaginário do eleitor. Alguns dos assuntos da moda provocam ainda reações semelhantes nos candidatos, revelando uma pasteurização de opiniões típica de uma eleição polarizada.
Dilma Rousseff
Salário mínimo Elevar para além dos R$ 600 ao mês ao longo do mandato
Ajuste fiscal Descarta a ideia. No primeiro turno, afirmou ser ¿burrice¿. Agora, adverte que a medida não impede a queda do dólar
Funcionalismo Mantém o discurso de valorização dos servidores e é a favor de mais concursos. Ideológica, defende o Estado ¿forte¿
Bolsa Família Promete dar continuidade, ampliando o número de beneficiários e associando o projeto a outros de cunho social
Juros Diz que a queda dos juros será consequência natural de medidas como a redução do endividamento público e a reforma tributária
Emprego Promete manter os projetos do governo Lula que mais geram empregos e quer mais escolas técnicas
Impostos Promete apoiar uma reforma tributária que simplifique o sistema de cobrança de impostos
Privatização Ataca ferozmente a política tucana de venda das estatais feita no passado, mas, no caso da Infraero, apoia a ¿abertura de capital¿
Câmbio Defende a atual política cambial, acenando com medidas como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
Previdência Diz que, se necessário, mudança será ¿marginal¿. Argumenta que o deficit foi reduzido nos oito anos do governo Lula
José Serra
Salário mínimo Aumentar para R$ 600 já em 2011
Ajuste fiscal Defende o saneamento das contas públicas e o corte de despesas com o funcionamento da máquina federal
Funcionalismo Quer a redução das nomeações políticas. Afirma que vai propor planos de carreira e criar programas de mérito e metas
Bolsa Família Quer conceder 13º e promete ampliar o universo atual de atendidos de 12,6 milhões de famílias para 27 milhões
Juros Promete reduzir a taxa real de juros e diz que vai cobrar do BC uma postura mais firme quando o momento permitir baixar a Selic
Emprego Abrir cursos profissionalizantes de curta duração. Criar 5 milhões de empregos e combater o trabalho informal
Impostos Cortar impostos sobre o salário, a cesta básica e a eletricidade. Baixar a carga tributária sobre o setor produtivo
Privatização Defende as vendas realizadas durante o governo tucano. Diz que o governo Lula deu continuidade ao processo
Câmbio Apoia o câmbio flutuante, mas prega um BC mais intervencionista. Quer definir uma política que não prejudique a competitividade
Previdência Propõe alterar a idade para a aposentadoria no setor privado, o que, ao longo do tempo, ajudará a conter a sangria do INSS
Os dois
Salário mínimo Não dizem qual o mecanismo de reajuste do subsídio básico nem o custo financeiro
Ajuste fiscal Divergem quanto a forma, efeitos e prazos das possíveis medidas de contenção dos gastos do governo
Funcionalismo Ambos pregam uma máquina pública mais eficiente
Bolsa Família Acreditam que programas de transferência de renda são o caminho para a redução da pobreza
Juros Não falam quando será possível cortar as taxas
Emprego Ensino técnico auxilia na formação de mão de obra qualificada e deve ser incentivado
Impostos Concordam que a carga tributária, de quase 35% do PIB , já é elevada demais e que o emprego e as empresas são prejudicados
Privatização Não dizem se farão novas privatizações
Câmbio São contra intervenções que possam desestabilizar os mercados internacionais e a economia brasileira
Previdência Não detalham as propostas e ignoram a Previdência do servidor público