Título: Troca da dívida externa deve se limitar a US$ 1 bi
Autor: Lucchesi, Cristiane Perini
Fonte: Valor Econômico, 03/08/2006, Finanças, p. C2
Se o governo não conseguir tirar do mercado a quantidade desejada de títulos da dívida externa com a troca que termina hoje, vai usar dinheiro e comprar os papéis no mercado secundário dos investidores. Essa é a visão de John Welch, estrategista da Lehman Brothers. As reservas internacionais, o caixa em moeda forte do Brasil, estão em US$ 66,8 bilhões, um crescimento com relação aos US$ 62,67 bilhões de junho.
A troca, que começou no dia 27 de julho e terminou ontem, terá seu resultado divulgado hoje. O objetivo do Tesouro é atingir US$ 1,5 bilhão, mas o mercado aposta que ela não deve passar do US$ 1 bilhão. Ontem pela manhã o governo divulgou o prêmio que vai pagar sobre o título oferecido, de vencimento em 2037: 205 pontos básicos sobre os títulos do Tesouro americano de 31 anos. Fazendo os cálculos de acordo com o fechamento de mercado de anteontem, Welch concluiu que o título que mais vale a pena ser trocado é o papel de vencimento em 2020. Esse título pagava no mercado 148,50 pontos básicos de prêmio, enquanto o governo brasileiro oferecia 149,13 pontos básicos.
Nos demais, o preço do mercado era maior ou só ligeiramente menor do que o oferecido pelo governo, tornando a troca pouco interessante para o investidor. O governo pagaria 131,03 pontos básicos de prêmio pelo papel de vencimento em 2027, em relação aos 131,10 do mercado; 155,01 pontos básicos para o Global 30, frente aos 155,25 do mercado; e 116,62 e 116,84 pontos básicos pelos papéis de vencimento em 2024, contra 116,55 do mercado.
Ajudou a troca o fato de o Global 37 ter apresentado alta de preços depois de o governo ter divulgado o spread que iria pagar. Ontem, o Global 37 fechou a 100,10% do valor de face para venda, com relação aos 99,30% de anteontem. Os líderes da troca são o Citigroup e o Deutsche.