Título: Mercado de seguro de vida poderá dar salto no Brasil
Autor: Júnior, Altamiro Silva
Fonte: Valor Econômico, 04/08/2006, Finanças, p. C3
O crescimento da economia, o fim da inflação e a nova regulamentação vão fazer o mercado de seguros de vida dar um salto no Brasil nos próximos 10 anos, avalia Robert Kerzner, presidente da Limra International, uma associação mundial que avalia o mercado de seguros de pessoas. "O Brasil está passando por profundas mudanças. As oportunidades que estão sendo criadas agora podem ser as melhores que já existiram", disse ao Valor ontem, logo após uma palestra no III Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada.
O Reino Unido demorou 300 anos para desenvolver seu mercado de seguros de vida. Nos Estados Unidos, foram 150 anos. Já os países emergentes da Ásia devem levar entre 10 e 15 anos. Para o Brasil e a América Latina, mantida a estabilidade e o crescimento da economia, ele prevê um mercado mais desenvolvido em menos de 10 anos. Para Kerzner, um mercado desenvolvido inclui produtos diversificados, vários canais de distribuição e uma boa regulação.
A regulação, em sua avaliação, é o principal fator para mudar o mercado. No Reino Unido, por exemplo, novas regras mudaram o sistema de corretores em apenas três anos, levando a uma queda de 50% no número de corretores. Para ele, quanto melhor for o sistema de vendas de um seguro de vida, melhor será a convivência com os reguladores.
A principal mudança do mercado aqui são as novas regras da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Entre elas, está a criação de um produto que mistura investimento com previdência, o seguro dotal. René Garcia, o titular da Susep, acredita que, com a nova regulamentação, o ramo vida tem condições de puxar o crescimento do setor de seguros nos próximos anos, levando a participação dos seguros no PIB dos atuais 3% para a casa dos 5%.
"Durante 40 anos os bancos venderam seguros de vida coletivos como se fossem apólices individuais. Agora será preciso corrigir os erros", destaca Nilton Molina, presidente da Mongeral, seguradora especializada em vida e previdência. Com as novas regras, não será mais possível essa venda.
Para Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Vida e Previdência, o ramo vida, que costumava ser esquecido pelas seguradoras, está ganhando maior importância. "As pessoas estão mais dispostas a ter um seguro de vida", diz. "A nova regulação abre espaço para novos produtos, mais flexíveis", diz Renato Russo, da SulAmérica.
Além das novas regras, outro fator que deve estimular o mercado é o fim do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado nos seguros de vida a partir de 1º de setembro. A alíquota, de 2%, será zerada.