Título: Clubes e corretoras conquistam novo investidor da bolsa
Autor: Fariello, Danilo
Fonte: Valor Econômico, 16/08/2006, EU & Investimentos, p. D1

Crescimento mais forte do que o apresentado pelos fundos de ações neste ano é verificado pelos clubes de investimento e pela negociação direta de ações via corretoras na bolsa. Apenas neste ano, mais de 13 mil novos participantes começaram a investir na Bovespa por meio de clubes. Até junho, existiam 1.492 fundos, que somavam patrimônio de R$ 7,8 bilhões, de 125 mil cotistas. Negociavam diretamente ações na bolsa, até julho, 223 mil pessoas físicas, segundo a Bovespa, um crescimento de 44% em relação ao número de pessoas que compravam e vendiam ações até o fim do ano passado. Os fundos de ações e de privatização tinham, até quarta-feira, patrimônio líquido de R$ 73 bilhões, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

Os fundos não crescem em uma velocidade tão rápida quanto os clubes porque apresentam sua consistência de resultado apenas no longo prazo, diz Gustavo Cerbasi, professor de Finanças da FIA/USP. Como a maior parte desses fundos mais sofisticados surgiu nos últimos anos, o resultado deles só vai aparecer daqui a algum tempo e só então os investidores serão mais intensamente atraídos, diz ele. No caso da compra direta, o objetivo costuma ser mais de curto prazo e trata-se de investidores que conhecem melhor o mercado.

Para os clubes de investimento, na maioria das vezes, o aplicador tem como meta, além do retorno, conhecer o mercado, por isso, tende a aderir mais rapidamente, diz Cerbasi. Os investidores dos clubes têm mais poder sobre as decisões tomadas sobre a carteira e melhor contato com o gestor, que o deixam mais confortável, diz. "Fundo, porém, é um serviço que oferece estratégia de investimentos e tem de provar sua consistência para conquistar."

Para Fabio Colombo, consultor de investimentos, os fundos, desde que com taxas baixas, são a melhor opção para diversificar a carteira de ações. "Os clubes não são tão auditados e, pela compra direta, é necessária muita dedicação para fazer a avaliação precisa dos papéis a serem adquiridos."

A compra direta é recomendada para quem já tem mais conhecimento do mercado, diz Cerbasi. "A bolsa tem alto risco, mas há muita informação para quem quer administrar esse risco." (DF)