Título: Governo comprou US$ 110 bilhões em 12 meses
Autor: Lucchesi, Cristiane Perini
Fonte: Valor Econômico, 22/08/2006, Finanças, p. C2
O governo comprou nada menos do que US$ 110 bilhões no mercado de câmbio nos últimos 12 meses, segundo Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Ele considerou a atuação do Tesouro e Banco Central, no mercado à vista e no futuro.
Ele acredita que a tendência do câmbio é continuar sua apreciação e que isso é inevitável, dada a redução da vulnerabilidade externa, melhoria dos fundamentos econômicos, com queda no risco-Brasil, e exportações ainda crescendo, embora em ritmo menor. O único risco a esse cenário é uma queda maior do que a esperada no ritmo de crescimento da economia americana. Mas, a última crise de mercados emergentes mostrou que o Brasil está melhor preparado para enfrentá-los, disse.
Para Octavio de Barros, o crescimento das importações que já começou não é negativo para a economia, pois o país está entre os mais fechados do mundo e deve reduzir seu superávit em conta corrente para não "exportar poupança". A importação de bens de capital da China, no seu entender, é bem-vinda, pois ajuda a reduzir o preço desses produtos.
Sua visão não foi compartilhada por Herman Wever, do conselho de administração da Siemens. No debate com Octavio de Barros, ele disse que a China já tomou o lugar do Brasil como maior exportador de bens de capital para a América Latina. Destacou o risco de um processo de desindustrialização do Brasil devido à competição com a China. "O jogo do câmbio flutuante não é perfeito, pois a China mantém seu câmbio apreciado artificialmente", disse Wever. Para Octavio de Barros, a saída são acordos comerciais com a China. (CPL)