Título: Prêmios menores exigem maior atenção dos gestores
Autor: Pavini, Angelo
Fonte: Valor Econômico, 10/08/2006, Eu & Investimento, p. D1

Os investidores em multimercados devem estar preparados agora para um cenário de prêmios menores, que tornarão os ganhos dos fundos mais discretos, acredita Aline Sun, responsável pela área de fundos de fundos do Unibanco. "O juro já caiu um pouco, a bolsa deve ficar com volume menor até setembro por conta das férias no Hemisfério Norte e o BC vai continuar interferindo no mercado de câmbio por um bom tempo", afirma. Nesse cenário, os gestores teriam de aumentar as apostas e alavancar mais as aplicações. Ela acredita que a redução dos prêmios dos mercados pode abrir espaço para um ganho maior dos long/shorts.

Já Rodrigo César Carvalho, da Mauá Investimentos, considera que ainda há espaço para ganho com juros. Ele avalia que o cenário é benigno para os países emergentes e para Brasil em particular, apesar da incerteza sobre o cenário externo. "Estamos no fim de um ciclo de juro baixo e crescimento forte nos Estados Unidos e há dúvidas sobre se o Fed (banco central americano) vai apertar mais os juros, se a desaceleração da economia americana vai ser suave ou drástica", diz. Mas o importante, acrescenta, é que os preços dos ativos estão mais alinhados aos fundamentos. "Há exceções, como a nossa taxa de juro real, que tem espaço para cair bem, e alguns setores da bolsa, mas é um otimismo mais seletivo daqui para frente", afirma. O câmbio, que foi um "cavalo vencedor" desde o ano passado, deve perder terreno nos próximos meses pela atuação mais agressiva do BC reduzindo a instabilidade da moeda e pela própria redução do superávit da balança comercial, que começa a aparecer nos números de exportação e importação. "O gestor terá de ser mais cauteloso, com posições menores e maior cuidado na análise de risco e retorno."

Marcelo Karvelis, da Claritas, diz que nos últimos 15 dias vêm dividindo as apostas nos mercados de juros, especialmente prefixados, que têm espaço de ganho com novos cortes, e no mercado de câmbio. "Estamos revendo nossas estimativas de balança comercial e isso dá conforto para projeções de que o dólar pode cair e o real subir até o fim do ano", diz o executivo.

A instabilidade da bolsa permitiu bons ganhos também para os long/shorts, diz Marcos Duarte, da Polo Capital. Muitos preços de ações ficaram fora do padrão, abrindo espaço para arbitragem entre papéis de uma mesma empresa, de uma companhia e sua holding ou de empresas de um mesmo setor. Com isso, o fundo Polo HG teve ganho de 2,43% em julho e acumula 23,91% no ano. "Ganhamos também com o desfecho das operações de Ripasa e da Vivo", afirma ele. Hoje o fundo tem 45 apostas em pares de ações e busca ficar totalmente fora da tendência do Ibovespa.