Título: Mercado local ampara reação da siderurgia
Autor: Cotias, Adriana
Fonte: Valor Econômico, 10/08/2006, Eu & Investimento, p. D2

A safra de balanços do setor de siderurgia termina hoje e a percepção dos analistas é de que pelos resultados apresentados até aqui as empresas conseguiram recuperar margens e há pela frente um ambiente bastante favorável. O crescimento da demanda local, capitaneado pelas indústrias automobilística e de construção civil, é que deve dar o tom para o segundo semestre. No mercado externo, a recuperação dos preços siderúrgicos ainda desenha um canal promissor para o escoamento de parte da produção.

Pelos base de dados da Thomson One Analytics, a maioria das ações tem recomendação de compra e as principais indicações são Gerdau PN e Usiminas PNA, com a média de preço alvo em R$ 43,55 e R$ 96,3 por ação, com potencial de valorização de 28% e 31%, respectivamente. Vale lembrar que esses cálculos levam em conta as projeções de resultados para as empresas, mas dependem das condições do mercado e de procura pelos papéis para se concretizar.

Ontem, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) divulgou as demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre e a temporada se encerra nesta manhã com os números da Usiminas. A previsão da Merrill Lynch é de que a companhia apresente um lucro líquido de R$ 988 milhões entre janeiro e junho, 46% inferior ao R$ 1,824 bilhão apurado em igual intervalo no ano passado. A corretora americana calcula que no segundo trimestre a margem Ebitda (a rentabilidade sobre o fluxo de caixa operacional) apresentará um crescimento de 1,8% pela recuperação de preços tanto no Brasil como no exterior, o que deve compensar o aumento de custos com o minério de ferro.

Para o segundo semestre, o analista da Fator Corretora Marcelo Aranha espera novos reajustes de preços das placas negociadas no mercado externo. Tal cenário, combinado com o aquecimento da demanda local - pelo impulso da indústria automobilística - deve proporcionar resultados crescentes para a Usiminas ao longo do ano. "O pico deve ser observado já no terceiro trimestre", diz, apesar de, no setor, preferir as fabricantes de aços longos Gerdau e Arcelor.

Dentre os resultados apresentados até agora, foi o da Gerdau o que mais surpreendeu, segundo a analista da Coinvalores Elaine Rabelo. "Já houve um ensaio de recuperação no segmento de aços longos no segundo trimestre graças ao aquecimento do setor de construção civil, que deve ser consolidado ao longo do segundo semestre", diz. De janeiro a junho, o Grupo Gerdau ampliou em 6,2% o lucro líquido, para R$ 1,8 bilhão. Elaine tem um preço alvo de R$ 43 para Gerdau PN e tem indicação de compra para Usiminas PNA, a R$ 105, que aparece como "top pick" (que tem alto potencial de valorização num curto espaço de tempo) na avaliação de Cristiane Viana, da corretora carioca Ágora.

"Além da forte demanda do setor automobilístico, a empresa vem apresentando múltiplos baixos em relação às concorrentes", diz Cristiane. Segundo exemplifica, Usiminas PNA vinha sendo negociada com um EV/Ebitda - a relação entre o valor da empresa e sua geração de caixa operacional e que dá uma idéia do prazo de retorno do investimento - de 3 anos, ante 4,5 anos da média internacional. A analista ainda tem recomendação de compra para Gerdau (preço alvo em R$ 46,17) e para CSN ON (a R$ 89,23 por ação).

A CSN encerrou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 750 milhões, 34% menor do que obteve no mesmo período do ano passado, mas em linha com que os analistas esperavam, por conta da paralisação do Alto Forno 3, em janeiro. No segundo trimestre, os custos foram particularmente afetados pela utilização de placas de aços de terceiros no processo de laminação.

Apesar dos percalços, a HSBC Corretora reitera a recomendação de compra para os papéis da siderúrgica, com um preço alvo de R$ 103, tendo em vista a decisão da administração de seguir com os planos de investimentos. Já a Socopa indica Usiminas PNA. CSN ON, Gerdau PN e Arcelor Brasil ON. Neste último caso, a corretora se pauta pelos bons fundamentos da empresa, embora ainda não se saiba se a Mittal, que adquiriu as operações globais da Arcelor, vai fazer uma oferta aos minoritários no Brasil, conforme recomendou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).