Título: Interior e construção puxam emprego formal em julho
Autor: Galvão, Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 22/08/2006, Brasil, p. A5
O ritmo da criação de empregos formais entre janeiro e julho está praticamente idêntico ao do mesmo período no ano passado. Segundo o Ministério do Trabalho, no período, o saldo entre contratações e demissões de trabalhadores foi de 1,078 milhão de empregos, resultado 0,51% menor do que o do mesmo período de 2005. O saldo de julho, positivo em 154,3 mil postos, é superior (31,39%) ao de julho de 2005.
O interior e o setor de construção ajudaram a puxar a abertura de vagas no mês passado. No setor de construção foi registrada a abertura de 24,6 mil novas vagas formais, recorde mensal pelo menos desde janeiro de 2003. No ano, este setor fez 103,5 mil novas contratações formais, 42% mais do que nos primeiros sete meses de 2005.
Apesar desses números, que ainda recebem influência de fatores sazonais, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, diz que 2006 será ligeiramente melhor que 2005. No segundo semestre, principalmente de agosto a outubro, o ritmo do emprego é mais forte. Em 2005, o saldo entre admissões e dispensas de empregados contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi de 1,253 milhão de postos. Na análise de Marinho, os quatro anos do atual governo terão média mensal de criação de empregos formais superior a 100 mil vagas.
O ministro afirmou que a informação veiculada na propaganda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, está correta. No horário gratuito, o programa de Lula informa que seu governo vai registrar a criação de mais de 6 milhões de empregos formais entre 2003 e 2006. Marinho esclarece que esses mais de 6 milhões de empregos formais envolvem o regime da CLT e também os funcionários públicos do regime estatutário. Portanto, vão além dos mais de 4,5 milhões de empregos criados de janeiro de 2003 a julho de 2006, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Os números do Caged, em julho, indicam pequena reação dos setores de calçados e madeira/mobiliário. Neste ano, as indústrias de calçados criaram 2.774 postos em julho. No ano passado, o saldo foi negativo em 2.183 vagas. Nas empresas de madeira e mobiliário, julho teve a criação de 2.242 empregos, diante de uma retração de 3.980 postos em 2005. No setor têxtil, a criação de empregos formais em julho (2.394) foi bem superior à de igual mês de 2005: 468.
Na opinião do ministro, essa ligeira recuperação do emprego nesses setores pode ser uma conjunção de três fatores. Em primeiro lugar, contribuíram as medidas do governo para apoiar o crédito nos segmentos exportadores que perderam com a taxa de câmbio. Em segundo lugar, as novas normas que reduziram a cobertura cambial. E, finalmente, o que Marinho chamou de "inversão" da produção: exportadores que se voltam para o mercado interno. No total, a indústria criou 235,8 mil vagas até julho de 2006, 18% mais do que em igual período de 2005.
Outro fenômeno mostrado pelo Caged é o ritmo mais intenso de criação de empregos formais em cidades do interior, geralmente vinculado ao ciclo agrícola desta época do ano. Em julho, nove regiões metropolitanas tiveram saldo positivo de 53.326 postos de trabalho com carteira assinada. Mas no interior, foram criados 65.762 empregos no mês passado.
Segundo o Ministério do Trabalho, os principais destaques do emprego no interior, em julho, foram os Estados de Minas Gerais e São Paulo. O desempenho foi melhor na região do Triângulo Mineiro, influenciada pelo comércio e pelos transportes. No Sul de Minas, o impulso veio da produção de café. No interior paulista, a criação de empregos em julho foi movida, principalmente, pela produção de cítricos, cana e carne.