Título: Alckmin vê preconceito em adversário
Autor: Bueno, Sérgio
Fonte: Valor Econômico, 22/08/2006, Política, p. B8
O candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, age com arrogância ao insinuar que deve vencer as eleições no primeiro turno e que a campanha petista usa de preconceito quando explora a declaração do candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, que culpou a migração pelo baixo desempenho do ensino básico no Estado. Alckmin concedeu entrevista ontem à rádio Capital. "O presidente anda meio arrogante, está de salto alto número 15, enquanto eu vou com as sandálias da humildade", disse ele, depois de indagado sobre declarações do presidente de que venceria a eleição sem precisar ir para o segundo turno.
Um dia depois de o presidente Lula afirmar num comício em Osasco que os tucanos "vomitam preconceito" quando responsabilizam os nordestinos pelos baixos índices do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) de São Paulo, Alckmin, sem elevar o tom, disse considerar o presidente "injusto e bravo".
Para rebater a declaração de Lula, Alckmin evocou o histórico familiar de Serra. "Ele (Serra) é filho de imigrante e não tem preconceito nenhum. É menino do Brás, filho de verdureiro, uma pessoa simples", disse o candidato tucano, enganando-se quanto ao bairro onde Serra nasceu, a Mooca. "O Lula tem feito uma campanha totalmente preconceituosa, utilizando frase colocada na TV só para tentar ganhar voto, tirar proveito", disse Alckmin.
O candidato do PSDB criticou ainda uma das principais bandeiras da campanha de Lula: a geração de postos de trabalho. Alckmin chamou Lula de "exterminador de empregos". Criticou o governo federal pelo "câmbio fora do ponto", em uma referência ao preço do dólar, visto como muito baixo, o que afetaria setores da economia, entre outros motivos, porque barateia a importação de produtos da China.
"(Em Tabatinga), uma das importantes fontes de renda é fazer bichos de pelúcia. Agora, os produtos vêm da China por causa do câmbio e está todo mundo desempregado", disse ele. "O Lula está exterminado emprego, está virando um exterminador de emprego", acrescentou o candidato, afirmando que a indústria têxtil também foi "invadida" pelos produtos chineses.
Um dos carros-chefes da propaganda eleitoral de Lula é justamente o número de 6 milhões de empregos criados em sua gestão. O Ministério do Trabalho, no entanto, trabalha com a cifra oficial de 5 milhões. "Ele prometeu 10 milhões e ficou devendo a metade. O problema é que muita gente que estava na economia informal passou para a formal", comentou Alckmin. E acrescentou: "O Brasil, crescendo somente 2% ou 3% (do PIB), não sai do lugar". (Com agências noticiosas)