Título: Exceção à regra, grande hospital já se prepara
Autor: Borges, André
Fonte: Valor Econômico, 04/09/2006, Empresas, p. B3
Se entre as operadoras de saúde a padronização para troca de dados já é assunto recorrente, o mesmo parece não se confirmar entre os 600 mil prestadores de serviços do país, entre hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais liberais espalhados pelo país. "Vemos com grande preocupação o cumprimento desse trabalho por parte dos prestadores", diz o gerente de TI do grupo Samcil, Wylson Tadaharu Yoshikawa. "Tem muita gente que ainda nem sabe o que está acontecendo", ressalta.
Regularmente, a ANS tem realizado palestras para discutir o tema com o setor. Informações detalhadas sobre o assunto também estão disponíveis no site da agência, assim como um sistema de referência para adoção do padrão.
Exceção à regra são os maiores hospitais do país, onde a padronização da ANS virou um sub-projeto do setor de TI. "Colocamos o sistema entre as nossas prioridades, mas sem mexer no orçamento", diz Antonio Galera, superintendente de tecnologia do Sírio-Libanês, hospital que destina R$ 6 milhões por ano à área de informática.
No Samaritano, 16 profissionais foram envolvidos diretamente na implantação do Tiss. Segundo o superintendente de controladoria e finanças do hospital, Sérgio Lopez Bento, o trabalho interno minimiza impactos nos R$ 5,5 milhões reservados para tecnologia.
Para o hospital Santa Catarina, a chegada do padrão eletrônico culmina na adoção de um novo sistema de gestão empresarial. A troca de uma ferramenta caseira por um produto de mercado tem início neste mês. Com a mudança, o orçamento anual de TI, que normalmente gira em torno de R$ 1,1 milhão, atingirá R$ 3 milhões. "Vamos aproveitar a implementação do ERP [enterprise resource planning], que já chega adequado aos processos do Tiss", diz o coordenador de informática Luiz Cláudio de Lima e Sá.
As mudanças também têm início no Nove de Julho. Para evitar riscos de pane, nos próximos dias o hospital começa a enviar dados no padrão da ANS para três seguradoras. "Estamos mergulhados nisso. Em novembro, independente de qualquer coisa, estaremos prontos", garante o gerente de TI do hospital, Luiz Carlos Suart. O mesmo critério pauta o Albert Einstein, que deve gastar R$ 34 milhões em TI neste ano, metade na aperfeiçoamento de seu prontuário eletrônico. "O Tiss não mexe com gastos de TI, mas com nossos processos", diz o superintendente do Albert Einstein, José Henrique Germann. "Logo deixaremos de viver nessa torre de babel." (AB)