Título: MP investigará ligação entre Agnelo e Cachoeira
Autor: Exman ,Fernando
Fonte: Valor Econômico, 25/04/2012, Política, p. A6
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), será investigado pelo Ministério Público Federal por suposto envolvimento com o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.
Relator do inquérito contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o desmembramento das investigações com relação a Agnelo. Com isso, serão remetidas cópias dos autos envolvendo o governador para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Gurgel, que decidiu pedir a abertura de inquérito contra Agnelo no Superior Tribunal de Justiça, confirmou por meio de sua assessoria que, assim que receber a parte do processo envolvendo Agnelo vai pedir a abertura de novo inquérito para investigar o governador no STJ. Como é governador, Agnelo só pode responder a processo no STJ.
Lewandowski também autorizou a abertura de três inquéritos contra os deputados federais Carlos Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ). Ele atendeu a um pedido de desmembramento das investigações, que foi feito por Gurgel. Os três deputados estavam sob investigação no mesmo inquérito que foi aberto contra Demóstenes. Mas, segundo o procurador-geral, os fatos que pesam contra os deputados são diferentes daqueles que envolvem o senador. Com isso, haverá um inquérito contra o senador e outros três - um para cada deputado.
O processo contra Demóstenes permanece sob segredo de Justiça e, por isso, os detalhes das investigações contra ele e os deputados continuam inacessíveis ao público. De acordo com a Polícia Federal, houve pelo menos 70 ligações telefônicas entre secretários do governador do DF e integrantes do grupo de Cachoeira. Eles teriam se aproximado dos secretários para intermediar contratos entre empresas e o governo do DF.
Segundo a PF, Cachoeira é investigado por ter organizado um esquema de jogo ilegal em Goiás, com o suposto pagamento de propina a autoridades públicas e lavagem de dinheiro. O empresário também teria agido para intermediar negócios de empresas com o poder público, em especial com o governo do DF.
O despacho de Lewandowski deve fazer com que as investigações contra Demóstenes ganhem agilidade no STF. O ministro determinou o desmembramento das investigações sobre Cachoeira do inquérito envolvendo o senador. Com isso, Cachoeira será investigado pela Justiça da Goiás, na 1ª instância, e o senador permanece no STF, por ter foro privilegiado.
Gurgel pediu a Lewandowski para incluir no inquérito que corre no STF o irmão de Demóstenes, o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres. Mas, o ministro do Supremo concluiu que, mesmo com a conexão entre Benedito e Demóstenes, o primeiro deve responder na 2ª instância do Judiciário, onde tem foro por ser procurador.
O ministro indeferiu o pedido da Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás para obter cópia do inquérito. Lewandowski entendeu que esse pedido deve ser feito pelo MP goiano a Gurgel. Lewandowski ainda não decidiu a respeito do pedido feito pelo Conselho de Ética do Senado para obter cópia do inquérito envolvendo Demóstenes.