Título: Companhia usa gestão para minimizar prejuízo
Autor: Torres, Fernando; Schüffner, Cláudia
Fonte: Valor Econômico, 18/05/2012, Empresas, p. B1
No nível operacional, a administração da Petrobras tem feito o máximo que pode para estancar as perdas na área de Abastecimento. Quando mais petróleo puder ser refinado no Brasil e quanto mais diesel e gasolina for possível tirar do mix de derivados, melhor para as margens da companhia, já que isso reduz a necessidade de importação desses produtos a preço de mercado no exterior.
E é isso o que a empresa tem feito. O uso da capacidade instalada da área de refino ficou no nível recorde de 94% nos últimos dois trimestres, ante um índice de 92% no primeiro trimestre de 2011.
As refinarias também foram modernizadas para processar mais petróleo nacional (atualmente o índice é de 81%) o que vem reduzindo a necessidade de importar óleo leve mais caro.
No primeiro trimestre, a produção total local de derivados subiu 3% entre o primeiro trimestre do ano passado, sendo que em gasolina a alta foi de 10%.
Com menos paradas programadas para manutenção no primeiro trimestre, a Petrobras também conseguiu reduzir o custo de refino por barril em 10% na comparação ante o quarto trimestre e em 6% ante o primeiro trimestre de 2011, o que ajudou a reduzir as perdas no resultado da divisão.
Apesar dos avanços, até que as novas refinarias em construção fiquem prontas, o que não deve ocorrer antes de meados de 2013, os resultados do segmento dependerão de fatores exógenos.
E no primeiro trimestre eles foram melhores do que nos três últimos meses de 2011, diz Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). Ele destaca a queda sazonal da demanda por combustíveis, a redução de US$ 6,93 por barril na diferença entre o preço do petróleo Brent e o óleo pesado produzido pela Petrobras e também os 6% de depreciação cambial.
Sobre a política de preços, Pires vê conflito no fato de o ministro da Fazenda presidir o conselho da Petrobras. "Como guardião da inflação e presidente do conselho, ele acaba fazendo que os preços não sigam a tendência internacional", afirma. (FT e CS)