Título: Ministério nega a ocorrência de casos de febre aftosa em São Paulo
Autor: Zanatta, Mauro e Rocha, Alda do Amaral
Fonte: Valor Econômico, 11/09/2006, Agronegócios, p. B14
O Ministério da Agricultura confirmou, na semana passada, reação positiva ao vírus da febre aftosa em testes sorológicos feitos em 41 bovinos de 36 propriedades na região de São José do Rio Preto (SP). Mas ressalvou que a reação positiva é "normal" em testes rotineiros e que não caracterizaria atividade viral na região. "Os Estados precisam fazer duas colheitas de material por ano. Em caso de reação positiva, o que é normal, são feitos novos testes com as amostras", afirmou o diretor de Saúde Animal do ministério, Jamil Gomes de Souza. O resultado positivo, segundo ele, pode ter sido ocasionado por reação à vacinação.
O diretor informou que a reação restringiu-se a apenas 0,4% dos 9.177 amostras de sangue coletadas nos animais de 420 propriedades no Estado. "Ficamos em alerta quando há registros acima de 2% do total amostrado e concentrado em algumas poucas propriedades, o que, claramente, não é o caso", disse Souza.
Em nota, o ministério descartou a "ocorrência de febre aftosa" em São Paulo e informou que os animais que tiveram reação positiva ao vírus serão submetidos a novos testes, que devem ser concluídos até o fim deste mês. O Lanagro-RS, que fez os primeiros tetes, vai realizar os novos exames.
O coordenador de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura paulista, Enoch Tadeu de Mendonça, acrescentou que os animais não apresentavam sinais clínicos da doença. Ele disse que caso a nova sorologia dê resultado positivo, serão colhidas amostras de muco do esôfago e da faringe dos animais para a realização do teste denominado de Pro-Bang, para definir a origem da reação.
Segundo Mendonça, amostras em outras regiões do Estado, além de São José do Rio Preto, também foram reagentes para aftosa. Conforme o coordenador, tiveram reação positiva menos de 10% do total de amostras, um percentual considerado "normal". Todos os animais nessa situação estão "interditados", isto é, sem sair das propriedades, e não podem ser vacinados até a conclusão dos exames.
Recentemente, o Mato Grosso do Sul registrou 175 amostras reagentes ao vírus da aftosa. Neste caso, o ministério informou que foram feitas novas análises, que devem ficar prontas este mês.
O ministério suspendeu as restrições sanitárias às cidades paranaenses de Bela Vista, Grandes Rios, Maringá e São Sebastião da Amoreira, onde houve aftosa em 2005, por considerar finalizados os trabalhos de controle sanitário.