Título: PMDB quer mais apoio petista nos Estados
Autor: Ulhôa, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 12/09/2006, Política, p. A7

Sem abrir mão das negociações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por espaço em um segundo mandato, o PMDB governista está especialmente preocupado, nessa reta final da campanha, em costurar acordos partidários nos Estados que lhe garantam a eleição das maiores bancadas de deputados e senadores. Com isso, o partido terá direito de indicar os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado sem depender do governo.

O grupo dos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, desconfia que, por trás da articulação do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), para acabar com o voto secreto nas votações do Congresso esteja uma manobra do Palácio do Planalto, para ter controle das eleições das Mesas Diretores das Casas na próxima legislatura.

Renan teve apoio da oposição em sua eleição para presidente do Senado, em fevereiro de 2005, e encontrou resistência no PT. Por enquanto, ele não assume publicamente sua intenção de disputar novo mandato como presidente e afirma ser cedo para tratar do assunto. Reservadamente, manifesta o desejo de conduzir o processo consensualmente, sem disputa. Aliados dele acham que o Planalto pode tentar eleger o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) como sucessor de Renan, se ele perder a eleição para o governo de São Paulo.

Em outra frente para fortalecer seu cacife político, a ala governista do PMDB quer tomar a presidência do partido do deputado Michel Temer (PMDB) em 2007, tirando do grupo oposicionista o comando institucional da legenda. Hoje, diferentes grupos do partido disputam a interlocução com o Planalto. A possibilidade mais forte é que o grupo apóie Sarney para a presidência, para que Renan continue à frente do Senado.

Uma das negociações em curso visa garantir a reeleição do senador Luiz Otávio (PMDB-PA), do grupo de Renan e Sarney. Uma das idéias é que o deputado Jader Barbalho (PA), presidente do PMDB do Pará e integrante do conselho político da campanha da reeleição de Lula, apóie formalmente a candidatura da senadora petista Ana Júlia Carepa para o governo do Estado, em troca do apoio do PT a Luiz Otávio.

Em Minas Gerais, o PMDB governista espera que Lula interceda para que o PT apóie a candidatura a senador do ex-governador Newton Cardoso (PMDB). Com o apoio do governador Aécio Neves (PSDB), o pefelista Eliseu Resende cresceu nas pesquisas. O PMDB governista também espera contar com o apoio do Planalto para eleger um número maior de governadores, além dos seis com chances de vitória já no primeiro turno. Em Alagoas, onde Renan apóia a candidatura de Teotônio Vilela (PSDB) para o governo, a expectativa é que a popularidade de Lula alavanque a candidatura da petista Lenilda Lima, que aparece com cerca de 2% nas pesquisas. Com isso, haveria segundo turno entre o tucano e João Lyra (PTB), líder da disputa.

A tradição no Congresso, já quebrada por interesses políticos, é que o partido que tenha a maior bancada em cada Casa indique o respectivo presidente.

Com a provável eleição da senadora Roseana Sarney (PFL) governadora do Maranhão, seu substituto será Mauro Fecury, do PMDB. Epitácio Cafeteira, hoje no PTB, lidera as pesquisas para o Senado do Maranhão e deve ir para o PMDB. Outro senador que o PMDB espera atrair é Leomar Quintanilha (PCdoB-TO). Outra provável futura senadora que deve trocar de partido é Teresa Jucá, hoje no PSB. Mulher do senador Romero Jucá (PMDB-RR), ela poderá ir para o PMDB.

Uma eleição considerada difícil, internamente, é a do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), atingido por denúncias de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Até Sarney vem enfrentando constrangimentos em sua campanha no Amapá, com o crescimento da adversária Cristina Almeida (PSB).

Para a Câmara, os pemedebistas estimam ter de 90 a 110 deputados, apostando em atrair parlamentares eleitos por legendas menores, que serão prejudicadas pela cláusula de barreira.