Título: Tucano afirma que Lula copia 'agenda ultrapassada'
Autor: Costa, Raymundo
Fonte: Valor Econômico, 13/09/2006, Política, p. A8
Em debate com sindicalistas na Força Sindical, ontem, o candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou que o PT, ao assumir o governo em 2002, e por falta de um projeto próprio, "pegou uma agenda ultrapassada, que precisava avançar", e foi obrigado a usar "doses muito maiores", porque lhe faltava credibilidade.
"O que diferencia o remédio do veneno é a dose", disse, ao criticar a política econômica do governo Lula. "O Brasil precisa de uma política monetária, o problema é a diferença dos juros brasileiros para os juros internacionais", afirmou Alckmin, sem mencionar que o governo anterior, do qual Lula manteve a agenda, foi do também tucano Fernando Henrique Cardoso. Em entrevista após o evento, Alckmin, ao ser indagado se havia dito que a agenda econômica de FHC era ultrapassada, afirmou que "eram importantes novos passos". "O Brasil não avançou na área fiscal, piorou a infra-estrutura, a saúde e a educação".
Durante sua exposição aos sindicalistas, citou Mário Covas para dizer que "é possível conciliar política e ética, política e honra e política e mudança", e disse que, se eleito, empreenderia uma "política fiscal firme, para espantar a roubalheira no Brasil" e "pôr o pessoal para correr". Foi aplaudido quando disse que Lula governava com "mensaleiros" e "sanguessugas" e se socorreu novamente de Mário Covas ao afirmar que um governante deve assumir a responsabilidade por todos os atos de seu governo.
Alckmin gastou todo o final de seu pronunciamento argumentando que não existia lógica nas ações do Primeiro Comando da Capital (PCC). Defendeu que a "guerra" foi deflagrada devido à incisão feita pelo seu governo no crime organizado. Segundo ele, os líderes do PCC decidiram "aprontar" no momento eleitoral para o governo do Estado recuar. Na Colômbia, afirmou, a política migrou para o crime; no país, o crime teria migrado para a política. "O último ataque foi feito pelo quarto escalão da droga, pela molecada que deve para o tráfico", disse. Quanto às drogas, afirmou, as ações estaduais tornaram-se "enxugar gelo", porque faltou ação do governo federal nas fronteiras para conter tanto o tráfico de drogas, como de armas.
Assim como Lula, Alckmin afirmou que não fará grandes alterações na Previdência Social. No caso do INSS, afirmou que maior crescimento equilibrará o déficit. No caso do funcionalismo, defendeu a aposentadoria pelo piso do INSS, mas com possibilidade de instituição de um fundo de previdência, em que União e funcionários contribuiriam, para complementação de aposentadoria. Afirmou que o problema da Previdência não é o rombo do INSS, mas o do funcionalismo público.