Título: Cepal prevê alta das exportações apesar de recuo na demanda
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Fonte: Valor Econômico, 13/09/2006, Internacional, p. A11

Apesar de sinais de queda na demanda e no preço das principais commodities, o crescimento das exportações da América Latina será o segundo maior do mundo no biênio 2006 e 2007, ficando atrás apenas da China. A projeção consta de estudo divulgado ontem pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), órgão da ONU. A expansão do volume das vendas na região deve girar em torno de 7% a 8%, semelhante à de 2005. O crescimento das exportações chinesas deve ser de 15%.

Em termos de valores, medidos em dólares, o crescimento das exportações latino-americanas será na ordem de 20%. As vendas devem chegar a US$ 670,5 bilhões em 2006, ancoradas principalmente na comercialização de recursos naturais. As importações, deverão crescer 17% este ano, chegando a US$ 558,9 bilhões.

O estudo, intitulado Panorama da Inserção Internacional da América Latina e Caribe, 2005-2006, aponta que o ritmo acelerado das vendas regionais se deve ao crescimento da economia mundial, que nos últimos quatro anos aumentou em média mais do que 4%, segundo o critério da Paridade de Poder de Compra (PPC). O ciclo de 2003 e 2007 já é visto como um dos melhores dos últimos 30 anos.

China e Índia vêm tendo um papel de destaque nessa expansão. Embora o ritmo da economia deva perder um pouco de força no próximo ano - a China começa a dar sinais de desaceleração -, a expectativa dos economistas da Cepal é que o cenário positivo internacional se mantenha.

Além do dinamismo mundial, o desempenho das exportações latino-americanos está associada também ao aumento dos preços, em especial dos metais e do petróleo, disse o secretário-executivo da Cepal, José Luis Machinea. Por isso de acordo com as projeções, os países que deverão ser mais favorecidos são Chile, Venezuela, Peru e Bolívia. O Brasil poderia ser beneficiado pela demanda por soja e manufaturados.

Segundo Machinea, as exportações da América do Sul cresceram mais rápido que as do México e da América Central, porque as economias sul-americanas são mais especializadas em produtos básicos, cujos preços aumentam de forma mais sustentada. Machinea afirmou que o comércio da região "continua aproveitando a demanda internacional, sobretudo da China, e o maior vigor das economias da Europa e do Japão".

No documento, a Cepal aponta também alguns riscos para a participação latino-americana no mercado internacional. O maior deles seria o preço do petróleo, que tem contribuído para gerar inflação e, consequentemente, elevações dos juros. O que, segundo a Cepal, pode tornar menos fluido o acesso das economias da região ao mercado internacional.

Para os economistas da entidade, as projeções de redução dos preços das commodities não devem afetar as exportações latino-americanas. O diretor da Divisão de Comércio Internacional e Integração, Osvaldo Rosales, disse ao Valor que é esperado que os preços do petróleo e do cobre, em particular, voltem para outro patamar, mas não a ponto de reduzir drasticamente as receitas dos países produtores. Para a Cepal outro risco é a incerteza provocada pelo impasse na Rodada de Doha, o que poderia levar a um surto protecionista no mundo.