Título: Líderes chegam ao Rio e Hollande critica falta de uma agência ambiental
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Fonte: Valor Econômico, 21/06/2012, Especial, p. A11

O presidente da França, François Hollande, demonstrou frustração com a falta de acordo sobre a transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em agência especializada e a criação de fontes específicas de financiamento para o desenvolvimento sustentável. Para ele, o documento ficou "aquém das expectativas".

Sua primeira crítica foi direcionada à desistência de se criar uma nova agência, conforme proposta originalmente apresentada pela França, que encontrou forte oposição dos EUA. "Essa é uma das condições do multilateralismo", disse Hollande, em discurso na sessão plenária da Rio+20, diante de dezenas de chefes de Estado.

A segunda crítica de Hollande, que usou duas vezes a expressão "eu lamento" para referir-se ao rascunho final do documento, teve como alvo a falta de novas formas para financiar a chamada economia verde. "Se não tivermos financiamento jamais atingiremos os nossos objetivos", afirmou, citando especificamente a proposta de criar uma taxa sobre transações financeiras na Europa. Hollande prometeu transferir parte da arrecadação com essa taxa para financiar a adaptação às mudanças climáticas de países africanos.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, foi um dos últimos a falar. Ele defendeu a expansão do Conselho das Nações Unidas de Desenvolvimento Econômico e Social (Ecosoc) para que abrigue também os temas de desenvolvimento sustentável após a Rio+20.

Para o espanhol, o Pnuma continua a ter importante papel como o principal órgão especializado em meio ambiente. Disse que a Espanha vai continuar trabalhando para a reforma do órgão da ONU.

Para ele, o meio ambiente só pode ser preservado se o seu valor econômico for incorporado nas decisões dos governantes. Ao mesmo tempo, o que não for sustentável ambientalmente não será útil economicamente, afirmou.

Já o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, anunciou que vai propor o aumento de € 400 milhões voltados para energias sustentáveis. "A Rio+20 é a ocasião para melhor mobilizar e focar os recursos nacionais e internacionais, públicos e privados, que são necessários para alcançar as nossas prioridades [em desenvolvimento sustentável]."

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou os países desenvolvidos. Para ele, a ordem mundial está em colapso e precisa ser redesenhada para servir às necessidades espirituais e materiais de todos os seres humanos.

O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, reforçou o sentimento de frustração quanto à falta de acordo para transformar o Pnuma em agência. "Precisamos dar o status de agência especializada igual a outras instituições da ONU para poder equilibrar melhor as dimensões do desenvolvimento sustentável", disse Kibaki. (Daniel Rittner, Juliana Ennes, Guilherme Serodio e Marli Olmos)