Título: Apenas 22 nações apóiam o Brasil contra a reforma
Autor: Balthazar, Ricardo
Fonte: Valor Econômico, 20/09/2006, Finanças, p. C2

Apenas 22 países acompanharam o Brasil na decisão de votar contra a reforma do sistema de distribuição de poder no FMI, cuja primeira etapa foi aprovada na segunda-feira com o voto da grande maioria dos 184 países que fazem parte da instituição. A turma dos insatisfeitos incluiu todos os países da América do Sul e do Caribe, com exceção da Guiana, cujo representante preferiu se abster na votação porque acabou de assumir a presidência do conselho que reúne os representantes dos países no Fundo. Índia, Egito e alguns delegados do Oriente Médio também votaram contra a reforma.

Na sessão formal de abertura da reunião de Cingapura ontem, o ministro das Finanças da Índia, Palaniyappan Chidambaram, indicou que o grupo continuará combatendo a proposta de reforma da direção do FMI. "Os 23 países que votaram contra a resolução perderam a votação, mas não perderam a discussão", afirmou em seu discurso.

A resolução aprovada nesta semana aumenta a influência de quatro países em desenvolvimento no Fundo, China, México, Coréia do Sul e Turquia, e estabelece diretrizes para atualizar as fórmulas que determinam a distribuição de votos de acordo com a força econômica dos países que integram a instituição. O Brasil e as outras nações que votaram contra a proposta temem que esse processo acabe favorecendo os países ricos, que já exercem enorme controle sobre as atividades do FMI, e enfraqueça a representação das nações em desenvolvimento, dependendo dos critérios que forem adotados pelas novas fórmulas.

Há enormes diferenças entre os membros do Fundo sobre esses critérios. Segundo a resolução, as novas fórmulas devem ficar prontas em dois anos. Numa amostra das dificuldades à frente, o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbruck, afirmou que a reforma precisa levar em consideração os interesses de países europeus que também se sentem pouco representados no Fundo. (RB)