Título: Petista constrange partido ao pedir que Protógenes seja investigado
Autor: Martins , Daniela
Fonte: Valor Econômico, 18/06/2012, Política, p. A12

Para evitar um desgaste com o aliado histórico PCdoB, o PT apresentou uma força-tarefa para tentar poupar o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) de investigação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética na Câmara. A decisão do relator do caso, o petista Amauri Teixeira (BA), de pedir a abertura de inquérito contra o ex-delegado gerou constrangimento no PT e mobilizou a presidência dos dois partidos.

O ex-líder do PCdoB na Câmara, deputado Osmar Junior (PI), afirmou que o presidente da legenda, Renato Rabelo, acionou o comando petista assim que soube da possibilidade de investigação.

Lideranças do PCdoB na Câmara também fizeram chegar a irritação ao líder do PT, deputado Jilmar Tatto (SP). E coube a Tatto apagar o incêndio. Ele convocou na semana passada o deputado Sibá Machado (PT-AC) para elaborar um voto, contrário ao de Amauri Teixeira, que pede o arquivamento do caso.

Segundo o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), a medida é inócua já que não há previsão de apreciar voto em separado no colegiado. Ainda assim, num gesto político, Sibá anunciou o voto divergente na sessão do Conselho de Ética na quarta-feira e criou o clima de constrangimento com o relator correligionário.

Tatto aumentou a pressão sobre Amauri Teixeira quando orientou a bancada petista do Conselho de Ética a votar contra o relatório e apoiar a medida apresentada por Machado. A declaração foi repreendida por Araújo, que lembrou que os parlamentares não devem se orientar por questões partidárias para analisarem processos sobre a conduta dos pares. Toda esta questão, bem como a da CPI do Cachoeira, está sendo tratada no PT com uma estratégia de disputa partidária e não de transgressão à ética.

Dentro do PT, além do clima de irritação, a avaliação é de que a posição do relator petista foi pessoal e que o baiano errou ao não consultar a cúpula do partido, mas não se explicita por que seria pessoal. Entre os correligionários também há críticas de que Amauri Teixeira, ao pedir a investigação de Protógenes, dá força ao PSDB, autor do pedido de investigação. Além disso, há petistas que apontam que Teixeira não calculou o peso político da sua posição. Ela poderia estremecer as relações com um grande aliado petista nas eleições municipais em diversas cidades e também na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira - onde o PT tem tido dificuldades em manter a base governista unida para blindar as convocações que afetem aliados ou o Palácio do Planalto.

Tatto disse ao Valor que não entrou em contato com Teixeira depois da sessão realizada na semana passada e não acredita que o relator vá mudar seu voto. "É difícil. Eu pedi [que o relator não solicitasse abertura de investigação contra Protógenes], mas ele não atendeu", disse. O líder petista avaliou, no entanto, que o Conselho não deve aprovar o relatório que pede a investigação de Protógenes.

Foi o PSDB que pediu a investigação de Protógenes com base em conversas telefônicas flagradas pela Policia Federal com o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias Araújo, o Dadá, apontado como integrante do grupo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Nas conversas, segundo reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo", há orientações do deputado e ex-delegado da PF a Dadá, quando ele era investigado pela própria PF. O pedido de vistas do tucano Carlos Sampaio (SP) adiou a decisão sobre a abertura da investigação de Protógenes para julho, prolongando a sangria do deputado como possível investigado por quebra de decoro.