Título: Apesar de reajuste, gasolina ainda é mais cara no exterior
Autor: Rosas , Rafael
Fonte: Valor Econômico, 25/06/2012, Brasil, p. A3
Os reajustes de 7,83% na gasolina e de 3,94% no diesel, anunciados sexta-feira pela Petrobras, ainda deixam uma defasagem de 7%, no caso da gasolina, e de 13%, no caso do diesel, em relação aos preços praticados no mercado internacional, aponta relatório divulgado pelo Deutsche Bank.
Antes do reajuste, que vale a partir de hoje, a defasagem era de 14% na gasolina e de 16% no diesel. O aumento será praticado sobre os preços cobrados nas refinarias - nos dois casos antes de impostos - e não deve afetar o valor do combustível para o consumidor final.
O Ministério da Fazenda informou que, para neutralizar os impactos dos reajustes dos preços da gasolina e do diesel anunciados pela Petrobras, o governo decidiu reduzir a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide), incidente na comercialização desses combustíveis. "Dessa forma, os preços, com impostos, cobrados das distribuidoras e pagos pelos consumidores não terão aumento", afirmou o ministério em nota divulgada também na sexta-feira.
O relatório do Deutsche Bank também aponta pouco efeito dos reajustes da gasolina e do diesel sobre os resultados da Petrobras. A estimativa do banco é de uma alta de apenas 3% no lucro líquido, para US$ 14,638 bilhões este ano, contra estimativa anterior de US$ 14,216 bilhões. O banco considera que as ações da companhia poderão reagir de forma positiva às notícias, apesar de o reajuste ter vindo abaixo das expectativas do mercado.
O mercado vinha pressionando a Petrobras para que os preços dos combustíveis fossem aumentados devido à alta dos produtos no mercado internacional. Durante a semana passada, autoridades e analistas vinham sinalizando para possível elevação a partir do dia 25. Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, chegou a indicar alta de 10%. (Colaboraram Renato Rostás e Téo Takar, de São Paulo)