Título: Volume cresce com menos vigor
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 26/09/2006, Finanças, p. C1
Depois da acelerada expansão registrada a partir de meados de 2004, o volume de crédito na economia começa a crescer com menos vigor. Números divulgados ontem pelo Banco Central mostram que, entre julho e agosto, o crédito total em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu estagnado em 32,8%.
De junho para cá, o avanço foi de apenas 0,2 ponto percentual do PIB, enquanto nos três meses imediatamente anteriores a expansão somou 1,4 ponto. No ano passado, o crescimento registrado foi de 3,3 pontos.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, reconhece que está havendo uma desaceleração no crédito, mas enfatiza que ele continua a crescer. "O volume de crédito está está em um patamar mais elevado, e é natural que o crescimento sobre uma base já grande seja um pouco menos acelerado", afirma.
O crédito consignado, por exemplo, que é o segmento mais dinâmico do mercado de crédito, avançou 84,31% em 2005. Neste ano, a expansão tem sido um pouco menor, ainda que os números sejam representativos em termos absolutos - a expansão de janeiro a agosto é de 37,1%, para R$ 44,313 bilhões, e de 52,1% nos 12 meses encerrados em agosto.
Outro exemplo é o crédito para a aquisição de outros bens que não veículos. No ano passado, o segmento avançou 41,57%, após os bancos fazerem acordos com grandes redes varejistas. Neste ano, encolheu 0,7%, para R$ 10,161 bilhões, no período de janeiro a agosto. O que explica a desaceleração, em parte, foi o aumento da inadimplência em operações a não-clientes.
O economista-chefe da Austin rating, Alex Agostini, prevê que os dados do crédito em relação ao PIB irão sofrer alguma revisão para cima, em virtude do crescimento da economia abaixo do esperado. "Não é a melhor coisa do mundo o volume de crédito aumentar porque o PIB não cresce, mas de qualquer forma vai aumentar um pouco", disse. A projeção da Austin é que o crédito, que fechou 2005 em 31,2% do PIB, encerre este ano em 34,6%. Ou seja, haveria um avanços de 3,4 pontos, menor do que os 4,3 pontos ocorridos em 2005.
Agostini afirma que, em parte, essa desaceleração se deve ao fato de que, no ano anterior, o mercado explorou novas fronteiras, como o crédito consignado e os não-clientes. Ele lembra, porém, que as grandes empresas estão cada vez mais ao mercado de capitais para se financiar e cada vez menos recorrem aos empréstimos bancários. (AR)