Título: China voltará a crescer 10%
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Fonte: Correio Braziliense, 04/11/2010, Economia, p. 19
A duas semanas da cúpula do G-20, no qual o país estará no centro das atenções, o Banco Mundial eleva a estimativa de expansão A economia voltará a crescer num ritmo de 10% neste ano e suas perspectivas continuam sendo boas, mas o país ainda está exposto às consequências dos desequilíbrios mundiais. A conclusão é de um relatório do Banco Mundial (Bird), publicado ontem, antes da cúpula do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo). No encontro de chefes de Estado e de governo, em Seul, na Coreia do Sul, daqui a menos de duas semanas, a China e sua política de manutenção do iuan artificialmente desvalorizado estarão no centro do debate sobre a guerra cambial.
Em 2009, a economia havia saltado 9,1%. Apesar de encerrado o plano de estímulo ao consumo interno, adotado depois da crise econômica global, e das novas medidas para evitar um reaquecimento do setor imobiliário, os economistas do Bird refizeram suas projeções deste ano para cima. Revisamos a nossa estimativa de crescimento a 10% para o conjunto do ano de 2010, contra os 9,5% anteriores, indicou o informe trimestral do Bird. O Produto Interno Bruto (PIB) subiu para 11,9% no primeiro trimestre, 10,3% no segundo e 9,6% no terceiro, números surpreendentemente altos.
Para 2011, os técnicos estimaram uma expansão um pouco menor, de 8,7%. Após o fortíssimo crescimento que observamos recentemente, a China deve poder passar sem problemas, em 2011, a um índice de crescimento mais fácil de sustentar a médio prazo, declarou o principal coordenador do relatório, Louis Kuijs. A esperada desaceleração do crescimento mundial e das importações provavelmente vão afetar as exportações chinesas, advertiu o Bird, que insiste na necessidade de reequilibrar o ciclo positivo com uma demanda interna maior.
Protecionismo
O governo do presidente Hu Jintao é acusado, principalmente pelos Estados Unidos e pela Europa, de manter o iuan artificialmente baixo para favorecer seus exportadores. Um fracasso no reequilíbrio do modelo de crescimento chinês é um dos maiores riscos a médio prazo, tanto para a China como para a economia mundial, assinalou a publicação. A combinação de importantes excedentes nas contas correntes de alguns países, como a China, e importantes deficits de outros, como os Estados Unidos, apresenta riscos econômicos e financeiros, que podem dar lugar a medidas polêmicas, destacou.
Os bancos centrais de alguns países intervieram nos últimos meses para tentar baixar a cotação de suas moedas. Especialistas temem que essa situação leve a uma onda de protecionismo, o que afetaria o livre fluxo de mercadorias. Na China, o superavit comercial deve continuar crescendo no ano que vem. Além disso, o saldo positivo nas relações com os outros países também deve permanecer em alta, devido à renda dos investimentos chineses no exterior. O G-20 estimulou seus membros a limitar os desequilíbrios externos o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, defendeu um teto de 4% do PIB para os deficits.
Bom desempenho
O índice do setor de serviços chinês caiu de 61,7 pontos em setembro para 60,5 em outubro, informou ontem a Federação de Logística e Compra da China. Apesar do leve recuo, o número ficou bem acima da linha de 50, marcando o quarto mês seguido além de 60, o que mostra bom desempenho do segmento.
O indicador é divulgado após dados recentes mostrarem uma atividade econômica mais forte que o esperado no setor industrial.
Perda de ritmo entre os ricos
O ritmo da retomada econômica global registrou desaceleração desde o início do ano, principalmente nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A recuperação mundial continua sendo frágil, apesar de estar encaminhada, assinala relatório da OCDE divulgado ontem.
O crescimento da atividade e do comércio perdeu força em consequência da redução dos estímulos fiscais. Na área da organização, que reúne 30 países democráticos entre os mais ricos do planeta, o desaquecimento é maior que o previsto.
A expectativa é de expansão de 2,5% a 3% neste ano e de 2% a 2,5% em 2011. As estimativas anteriores, feitas no fim de maio, eram de 2,7% e de 2,8%, respectivamente.